
Pablo Cesário, diretor de Relações Institucionais e presidente interino do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), é o entrevistado do CB.Poder — uma parceria entre Correio e TV Brasília —, desta segunda-feira (13/4). O entrevistado conversou com os jornalistas Carlos Alexandre de Souza e Denise Rothenburg sobre a rastreabilidade do ouro, com um projeto de lei que pode afetar o combate contra o garimpo ilegal.
Segundo o presidente interino do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), um projeto de lei que está sendo tramitado atualmente, é o PL 3025/2023 que fala sobre a rastreabilidade do ouro e pode afetar a forma como é combatido o garimpo ilegal. Para o convidado, o garimpo ilegal é um dos maiores problemas existe no país, principalmente agora que eles se organizam cada vez mais com o crime organizado.
De acordo com Cesário, no ano passado, houve uma grande mudança feita pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que "atrapalhou" a vida do garimpo ilegal, fazendo com que todo o ouro produzido no Brasil tivesse que ser acompanhado por notas fiscais eletrônicas e que tivesse documentos de transporte.
“O que vemos hoje, que provavelmente será discutido amanhã — e está na expectativa de receber hoje um novo parecer do relator Marx Beltrão no PL 3025 — é que ele muda novamente as regras de rastreabilidade e pode ser uma daquelas coisas em que damos um passo à frente e acabamos dando três para trás”, afirmou.
O ponto central dessa mudança é que atualmente, todo mundo é obrigado a comprovar a origem por toda uma cadeia de documentação, segundo o diretor, o que o PL 3025 faz é retroceder, permitindo a retomada da autodeclaração; ou seja, que a primeira pessoa a comprar diga, voluntariamente, de onde vem o ouro.
“O que acontece muito frequentemente — e existem imagens sobre isso — é que você vê uma lavra garimpeira legal ao lado de uma terra indígena. Você olha por satélite e vê a floresta, nada sendo explorado. Mas, se você sobe um quilômetro para dentro da terra indígena, há dezenas, milhares de quilômetros devastados pelo garimpo ilegal. Então, eles pegam o ouro do garimpo ilegal e usam esses títulos legais para 'lavar' esse ouro”, explicou.
O representante do IBRAM diz que o garimpo ilegal continua sendo um problema e o ouro está em recordes históricos, com os preços mais altos que já existiu, e isso tem levado a um enorme avanço inclusive em terras indígenas e comunidades tradicionais, com todos os problemas ambientais, como o uso de mercúrio e cianeto.
“É uma atividade perigosa que precisa ser feita com controle, e isso é um problema. Na verdade, o que está acontecendo é que eles (garimpeiros ilegais) estão começando a exportar esse ouro produzido ilegalmente pela Venezuela e pelo Suriname”, frisou.
Veja a entrevista completa:
*Estagiário sob supervisão de Ronayre Nunes

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