
O presidente nacional do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Aécio Neves, anunciou nesta terça-feira (14/4) que articula a entrada de Ciro Gomes na disputa pela Presidência da República. “O Brasil precisa de um projeto que supere a polarização e recoloque o país no caminho do desenvolvimento”, afirmou o tucano ao apresentar o ex-governador como alternativa nacional. A informação foi dada após reunião na liderança do PSDB na Câmara dos Deputados.
A sinalização ocorre em meio a um movimento distinto de Ciro, que vinha estruturando uma candidatura ao governo do Ceará. Segundo Aécio, no entanto, o pedetista reúne as condições para liderar o chamado centro democrático, ao combinar uma agenda liberal na economia com políticas de inclusão social. O dirigente tucano argumentou ainda que o ex-governador “é maior do que as fronteiras do Ceará” diante do atual cenário político.
Ciro Gomes recebeu o convite com “honra e surpresa” e reconheceu que o foco inicial era o Ceará, por considerar um “dever” com a base política local. Ainda assim, admitiu que a gravidade da crise brasileira exige reflexão antes de uma decisão definitiva.
Ao comentar o quadro econômico, o ex-governador traçou um diagnóstico duro, citando o avanço da inadimplência, o elevado número de empresas em dificuldades e o crescimento da informalidade. Ele também mencionou trabalhadores de aplicativos e criticou episódios de corrupção envolvendo altas esferas do poder, que, segundo ele, contribuem para a descrença nas instituições.
Tentativa de terceira via
A estratégia do PSDB é consolidar uma alternativa fora da polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro. Para Aécio Neves, o país “é maior do que a soma dessas duas lideranças” e precisa de uma candidatura “preparada e corajosa” para enfrentar os desafios nacionais.
Apesar do incentivo, Ciro adotou tom cauteloso. Disse que não tomará a decisão de imediato e que pretende ouvir aliados e lideranças do Ceará antes de qualquer definição. “Minha angústia com o Brasil não me permite descartar o convite. Mas o respeito ao meu estado não me permite aceitá-lo de pronto”, afirmou.

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