
A pouco mais de uma semana da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o ex-advogado-geral da União Jorge Messias intensificou a ofensiva política para garantir apoio à sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Logo após a leitura do parecer favorável à sua escolha, o indicado passou a percorrer gabinetes e ampliar o diálogo com senadores, com foco especial em parlamentares da oposição, onde enfrenta maior resistência.
O movimento ocorre em meio à dificuldade de mapear com precisão o placar da votação. Mesmo o relator da indicação, senador Weverton Rocha (PDT-MA), admite incertezas quanto ao apoio consolidado. Nos bastidores, a avaliação é de que o cenário permanece aberto, sobretudo porque tanto na CCJ quanto no plenário o voto é secreto, fator que, historicamente, permite dissidências e reconfigurações de última hora.
Saiba Mais
Nos últimos dias, Messias se reuniu com nomes relevantes da oposição, como o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), apesar de o partido já ter fechado questão contra sua indicação. Também conversou com o senador Eduardo Girão (Novo-CE), que classificou o encontro como cordial, mas reafirmou voto contrário. Paralelamente, interlocutores do indicado têm atuado junto a outros parlamentares, numa tentativa de converter votos ou, ao menos, reduzir resistências mais firmes.
A estratégia na reta final inclui não apenas agendas públicas, mas também uma intensa articulação reservada. Aliados de Messias relatam que o indicado tem buscado reforçar credenciais técnicas e jurídicas, além de sinalizar disposição ao diálogo institucional. Em conversas privadas, alguns senadores de perfil conservador indicaram simpatia ao nome, embora ponderem o peso da pressão de suas bases eleitorais em um ano politicamente sensível.
Avaliação
Apesar das incertezas, o governo demonstra otimismo moderado. Projeções internas apontam que Messias pode alcançar entre 48 e 52 votos no plenário, acima dos 41 necessários para aprovação. Na CCJ, o cenário também é considerado favorável: o indicado soma, até o momento, 13 votos favoráveis e oito contrários, precisando de apenas mais um apoio para garantir maioria no colegiado antes de seguir ao plenário.
O histórico recente, no entanto, ainda influencia o ambiente político. Quando foi anunciado por Lula, em novembro do ano passado, Messias enfrentou resistência inicial após o presidente não ter comunicado previamente o então presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), gesto considerado praxe institucional. O episódio gerou ruídos entre Planalto e Congresso, mas, passados cinco meses, aliados avaliam que o clima distensionou. Hoje, a leitura predominante é de que Alcolumbre adota postura neutra — não atua diretamente pela aprovação, mas também não articula contra.
Nos bastidores, há, ainda, uma estratégia de calibragem do discurso. A orientação é evitar confrontos ideológicos e priorizar respostas técnicas durante a sabatina, reduzindo o risco de desgaste. Também há preocupação com temas sensíveis que possam ser explorados por adversários, como decisões passadas e posicionamentos institucionais. A preparação inclui simulações intensivas e mapeamento de possíveis questionamentos.
Por outro lado, a oposição mantém mobilização ativa para barrar a indicação. O líder oposicionista Rogério Marinho (PL-RN) tem sido apontado como principal articulador contrário, tendo liderado a construção de uma nota conjunta de senadores do PL e do Novo contra Messias. Ainda assim, a votação secreta e o histórico de reviravoltas em indicações ao Supremo mantêm o cenário imprevisível até o último momento.
A sabatina de Jorge Messias está marcada para 28 de abril. Caso aprovado, ele assumirá a vaga aberta com a saída do ministro Luís Roberto Barroso. Até lá, a disputa por votos deve seguir intensa, com articulações discretas e negociações de bastidores que podem ser decisivas para o desfecho no Senado.

Política
Política
Política
Política
Política
Política