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Ex-presidente do BRB contrata especialista em delação

Preso no Complexo da Papuda, ex-presidente do Banco de Brasília troca a defesa e escolhe o advogado Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça, com vasta experiência em acordos de colaboração premiada. O alvo deve ser o ex-governador do DF Ibaneis Rocha

Paulo Henrique Costa foi preso na semana passada pela Polícia Federal, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero -  (crédito:  Ed Alves/CB/DA.Press)
Paulo Henrique Costa foi preso na semana passada pela Polícia Federal, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero - (crédito: Ed Alves/CB/DA.Press)

Em um capítulo importante para a investigação do esquema envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), o ex-presidente da instituição brasiliense Paulo Henrique Costa decidiu trocar de advogados, em um movimento que sinaliza a intenção de fazer delação premiada. Ele é considerado uma das peças-chaves para entender o funcionamento da organização criminosa criada para operacionalizar o esquema.

O advogado Cléber Lopes deixou a defesa de Costa, dando lugar a Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça — considerado um especialista em delações premiadas —, e a Davi Tangerino. Aragão confirmou ao Correio que está assumindo a defesa, mas disse que ainda não conversou com o cliente. Por isso, não pode confirmar que ele pretende firmar delação.

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Contar o que sabe, com provas, seria a forma de Costa tentar reduzir uma eventual condenação. A estratégia é apontar a responsabilização de gestores e autoridades que estão acima dele. Fontes consultadas pela reportagem apontam a possibilidade de Costa comprovar o envolvimento direto do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha para a operação BRB-Master ser concluída.

Por ter sido governador de uma unidade da Federação que é acionista majoritária do BRB, Ibaneis teria forte influência e poder de decisão nas negociações envolvendo o Master. Em declarações públicas, o ex-governador negou ter feito qualquer reunião ou discutido a compra do Master com empresários ou gestores públicos acusados de envolvimento no esquema.

Apesar das declarações de Ibaneis, o ex-presidente Michel Temer confirmou ter participado de uma reunião, em Brasília, com o então governador, Costa e Vorcaro. A informação foi dada em entrevista àCNN Brasil, mas o ex-chefe do Executivo não precisou a data do encontro. Disse apenas que o encontro se deu “bem antes da liquidação” e que ele participou como advogado contratado para prestar “consultoria e mediação” à instituição de Vorcaro.

Temer confirmou ter recebido honorários do Grupo Master “para fazer essa intermediação e assessoria jurídica”, motivo pelo qual veio a Brasília participar do encontro com Ibaneis e Costa — “Vorcaro apareceu depois (na reunião)”, complementou o ex-presidente na entrevista.

De qualquer forma, os próximos passos de Costa são reunir documentos, mensagens e informações que possam convencer a Polícia Federal a fechar o acordo. Fontes dentro da corporação disseram à reportagem que até agora não houve qualquer procura dele ou de seus advogados para iniciar tratativas de um acordo de delação. Destacam, no entanto, ser necessário aguardar o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir sobre a prisão para tratar do caso.

Papuda

Costa foi preso no último dia 16, no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Os investigadores acusam o ex-presidente do BRB de estar envolvido em "crimes financeiros, além de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa". Ele está detido no Complexo Penitenciário da Papuda. A prisão preventiva está sendo avaliada pela Segunda Turma do Supremo, em julgamento virtual marcado para acabar nessa sexta-feira.

No mesmo dia em que Costa foi para a cadeia, a Polícia Federal deteve Daniel Monteiro, advogado do Master. Ambas as prisões foram autorizadas pelo relator do caso na Corte, ministro André Mendonça. Monteiro está detido em São Paulo e, de acordo com informações de fontes na PF, manifestou o desejo de firmar um acordo de delação.

Costa foi afastado da Presidência do BRB por determinação da Justiça Federal na primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no ano passado. Porém, estava em liberdade. A detenção só ocorreu após a Polícia Federal identificar mensagens dele com Daniel Vorcaro, dono do Master. A acusação é de que ele teria recebido propina de R$ 146 milhões em troca de atuar em favor do Master junto ao BRB.

Os valores ilícitos teriam sido movimentados em negociações de imóveis de alto valor em Brasília e São Paulo. Um dos imóveis na capital federal seria um apartamento no Residencial Ennius Muniz, no Noroeste, com valor inicial avaliado em R$ 4 milhões.

 

 

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postado em 23/04/2026 03:55
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