Vaga no STF

Alcolumbre pode adiar sabatina de Messias no Senado

Presidente da Casa vê "descortesia" em anúncio do governo e mantém controle sobre ritmo da sabatina do indicado ao STF

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), avalia segurar a tramitação da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), em meio a um novo ruído com o Palácio do Planalto. A aliados, o senador classificou como “descortesia” o fato de ter sido informado pela imprensa sobre a intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de formalizar o envio do nome.

Embora o governo tenha sinalizado que a indicação seria encaminhada ainda na última terça-feira (31/3), o envio não se concretizou, tendo sido feito somente hoje (1º/4). Interlocutores de Lula afirmam que o atraso se deve a questões burocráticas. Nos bastidores, no entanto, o episódio acirrou a relação entre o comando do Senado e o Planalto.

Alcolumbre concentra nas mãos o andamento do processo: cabe a ele encaminhar o nome à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa inicial da sabatina. O presidente do colegiado, Otto Alencar (PSD-BA), já indicou que só deve marcar a sessão após autorização da presidência da Casa. Entre aliados do senador, não está descartada a hipótese de a análise ficar para depois das eleições.

O mal-estar atual se soma a uma sequência de divergências desde o ano passado, quando Lula decidiu indicar Messias ao STF, contrariando a preferência de Alcolumbre pelo ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Em conversas reservadas, o senador tem atribuído o impasse a uma “desarticulação” política do governo no Congresso.

A avaliação no Senado também leva em conta o cenário político. Alcolumbre vê dificuldades na interlocução do Planalto justamente no momento em que nomes centrais da articulação — como os ministros Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Rui Costa (Casa Civil) — devem deixar seus cargos para disputar as eleições.

Mais Lidas