
A Polícia Federal prendeu, na manhã desta terça-feira (5/5), o deputado estadual Thiago Rangel, durante a quarta fase da Operação Unha e Carne, no estado do Rio de Janeiro. A investigação apura a atuação de uma suposta organização criminosa envolvida em fraudes na contratação de serviços e na compra de materiais, incluindo obras de manutenção em unidades vinculadas à Secretaria Estadual de Educação.
Ao todo, agentes cumprem sete mandados de prisão e 23 de busca e apreensão em municípios como Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo a corporação, “além do crime de organização criminosa, os investigados poderão responder por peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro”.
De acordo com as apurações, o parlamentar teria participação em um esquema de desvio de recursos públicos, com posterior ocultação de valores por meio de uma rede de postos de combustíveis. A investigação também indica o uso de “laranjas” e “testas de ferro” para movimentar recursos de origem ilícita. “Apurou-se a existência de um esquema de lavagem de dinheiro por meio de recursos desviados”, informou a Polícia Federal.
Os investigadores apontam ainda que valores teriam sido desviados da Empresa Pública de Habitação de Campos dos Goytacazes entre 2021 e 2022. Conversas analisadas indicam que integrantes do grupo teriam feito ameaças a adversários políticos. Com base nesses elementos, o ministro do STF autorizou a prisão preventiva dos envolvidos, além do afastamento do deputado de suas funções públicas durante o andamento do processo.
Em nota, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro informou que está à disposição para colaborar com as autoridades. “A Alerj reforça seu compromisso com a transparência e confiança no trabalho dos órgãos competentes”, declarou. Já a Secretaria Estadual de Educação afirmou que realiza revisão administrativa dos contratos de obras e serviços, com base nas diretrizes da Lei de Licitações (Lei 14.133). Entre as medidas adotadas, está a fixação de limite de R$ 130 mil para intervenções classificadas como manutenção e pequenos reparos.
A defesa de Thiago Rangel afirmou que recebeu a operação “com surpresa” e negou irregularidades. Em comunicado, declarou que o deputado “nega a prática de quaisquer ilícitos e prestará todos os esclarecimentos necessários nos autos da investigação”. A nota acrescenta que “qualquer conclusão antecipada é indevida antes do conhecimento integral dos elementos que fundamentaram a medida”.
*Estagiária sob supervisão de Rafaela Gonçalves
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