
O deputado federal Mario Frias (PL-SP) se manifestou publicamente, nesta quinta-feira (14/5), a respeito da relação entre o ex-bancário Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em reportagem publicada pelo Intercept Brasil nesta quarta-feira (13/5), o portal divulgou um áudio enviado pelo senador e para Vorcaro, cobrando o pagamento para a produção do filme.
“O senador Flávio Bolsonaro não tem qualquer sociedade no filme ou na produtora. Seu papel limitou-se à cessão dos direitos de imagem da família e, naturalmente, ao peso que seu sobrenome agrega na hora de atrair investidores interessados em financiar um projeto desse porte — o que é legítimo, esperado e não configura, em si, nada além do óbvio”, escreveu Mario Frias.
Mario Frias atua como produtor executivo do longa e, inclusive, já destinou emendas parlamentares para a produção do filme. Que foram questionadas formalmente pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) e justificadas pela Câmara dos Deputados em seguida, alegando que não foram encontradas irregularidades nas emendas destinadas pelo parlamentar.
De acordo com o pronunciamento do deputado, a GOUP Entertainment, produtora da cinebiografia, nunca recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro: “Não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse. E, ainda que houvesse, não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco”, pontua.
Mario Frias ainda destacou que o filme tem produção de padrão hollywoodiano, com capital privado, “com qualidade inédita para retratar o maior líder político brasileiro do século XXI”, além de avaliar as notícias recentes como “uma tentativa permanente de descredibilizar a obra perante a opinião pública” por motivações políticas e ideológicas.
Além da ligação com Vorcaro, o filme também teria recebido verba da Prefeitura de São Paulo, por meio de uma ONG ligada a uma das produtoras, Karina Ferreira da Gama. Karina teria recebido cerca de R$ 100 milhões da prefeitura depois de conseguir uma licitação para instalar pontos de Wi-Fi gratuito em comunidades.
Em nota enviada ao Correio, a prefeitura diz que a produção do filme citado não recebeu recursos municipais:
“O valor mencionado pela reportagem refere-se à contratação do Instituto Conhecer Brasil para a instalação de 5 mil pontos do Wi-fi Livre na cidade, realizada mediante chamamento público transparente e sem contestações. A organização social cumpriu todas as exigências previstas no edital, e a prestação do serviço segue normalmente”, informa.
A produtora também emitiu uma nota oficial: "Com o propósito de afastar especulações infundadas, a GOUP Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário" diz.
Confira a nota na íntegra:
“NOTA TÉCNICA À IMPRENSA
A GOUP Entertainment esclarece, preliminarmente, que a legislação norte-americana aplicável a operações privadas de captação no setor audiovisual veda a divulgação da identidade de investidores cujos aportes encontrem-se resguardados por acordos de confidencialidade (Non-Disclosure Agreements).
Trata-se de prerrogativa contratual e regulatória legítima, assegurada aos financiadores de projetos estruturados sob o regime de investimento privado, e que esta produtora é obrigada a observar.
Sem prejuízo das restrições acima e com o propósito de afastar especulações infundadas, a GOUP Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário.
A produtora reafirma que o projeto cinematográfico Dark Horse foi estruturado dentro de modelo privado de desenvolvimento audiovisual, por meio de articulações, parcerias e mecanismos legítimos do mercado de entretenimento nacional e internacional, sem utilização de recursos públicos.
Cumpre destacar, ademais, que conversas, apresentações de projeto ou tratativas eventualmente mantidas com potenciais apoiadores e empresários não configuram, por si só, efetivação de investimento, participação societária ou transferência de recursos — sendo improcedente qualquer ilação em sentido contrário.
A GOUP Entertainment repudia, portanto, tentativas de associação indevida entre a produção cinematográfica e fatos externos desprovidos de comprovação documental, financeira ou contratual.
A produtora permanece à disposição das autoridades competentes e da imprensa para os esclarecimentos cabíveis, reafirmando seu compromisso com a transparência, a legalidade e a integridade de suas operações.
GOUP Entertainment.”

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