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Diálogos Flávio-Vorcaro: dia de silêncio e de desconforto no bolsonarismo

Extrema-direita no Congresso reconhece que pedido de dinheiro do senador ao banqueiro preso causaram desgaste. Mas tenta desviar foco pedindo CPMI do Master

Deputado Rodrigo Valadares era um dos bolsonaristas que pediam instalação da CPMI do Master -  (crédito: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)
Deputado Rodrigo Valadares era um dos bolsonaristas que pediam instalação da CPMI do Master - (crédito: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)

A divulgação de mensagens e áudios trocados entre o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro causou grande desconforto entre os poucos bolsonaristas num dia de Congresso esvaziado. Os governistas, por sua vez, evitavam o triunfalismo, mas avaliavam que o discurso anticorrupção alardeado pelo grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro sofrera duríssimo golpe.

Nos bastidores, integrantes da extrema-direita classificaram os diálogos e áudios de Flávio como "péssimos" para a pré-campanha. Os bolsonaristas tentavam adaptar o discurso ante o dano dausado pelos diálogos. Afinal, o filho 01 chama Vorcaro de "irmão", afirma que estaria "contigo sempre" e cobra, explicitamente, parcelas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do pai ex-presidente.

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Para amenizar o estrago, houve quem partisse para o ataque. O deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP) criticou o pré-candidato presidencial Romeu Zema (Novo) nas redes sociais. Em vídeo publicado ontem, chamou-o de "hipócrita" e questionou a relação do ex-governador de Minas Gerais com doações ao Novo no estado. No PL, a postura do ex-governador significa distanciamento do bolsonarismo e aprofunda a disputa por espaço na extrema-direita para a corrida presidencial.

Diversionismo

A estratégia dos poucos bolsonaristas no Congresso era mudar o foco para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o Master e sustentar que não há ilegalidade na busca de financiamento privado a um projeto cinematográfico.

"As relações obscuras do Master precisam ser investigadas. Não vejo problema em pedir para um banco privado patrocinar um filme. O Itaú faz isso, o Bradesco faz isso, o Santander e muitos outros", disse o deputado Rodrigo Valadares (PL-SE).

O deputado Coronel Tadeu (PL-SP) disse que o episódio é uma ofensiva política contra o senador. "Não há irregularidade no fato de um filho buscar patrocínio privado para a produção de um filme privado. Não há uso de dinheiro público nem gastos bancados pelo contribuinte", observou, esquecendo-se, porém, que de que vários fundos de previdência de servidores estaduais (como os do Rio de Janeiro, do Amazonas e do Amapá) e municípais (como os de Maceió, Cajamar, em São Paulo, e Itaguaí, no Rio de Janeiro) aportaram milhões no Master.

Ao Correio, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que o silêncio e o diversionismo da bancada bolsonarista, ao dizerem que são a favor da CPMI do Master, desconsertou a extrema-direita. "É evidente que os bolsonaristas sumiram do Plenário. É constrangedor para eles. A informação que temos é de que Flávio havia garantido ao entorno da pré-campanha que as relações com Vorcaro eram protocolares. O entorno do próprio Flávio foi pego de surpresa", frisou.

Para a deputada Maria do Rosário (PT-RS), "tudo é muito grave, afeta Flávio Bolsonaro e toda a direita. Por esse motivo, muitos querem se distanciar. Mas as provas que eram todos 'irmãos' estão publicadas há meses".

 

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postado em 15/05/2026 03:55
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