
A ação da Polícia Federal contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, na semana passada, marcou a chegada da Operação Compliance Zero ao núcleo político de governos estaduais. As investigações se debruçam sobre fundos de pensão e aplicações financeiras consideradas suspeitas. No Distrito Federal, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa negocia um acordo de delação premiada e afirma possuir mensagens, documentos e registros que comprometem diretamente o ex-governador Ibaneis Rocha.
De acordo com fontes ouvidas no âmbito da investigação, Costa sustenta que as ordens para operações financeiras entre Master e BRB partiram do então governador do DF. Em contato com as autoridades, ele afirmou ter recebido mensagens cifradas de Ibaneis, que foram comandos para autorizar transações com o banco de Daniel Vorcaro.
O ex-presidente do BRB se ofereceu para traduzir essas mensagens. Além disso, promete citar outras autoridades envolvidas e revelar onde está boa parte do dinheiro enviado ao exterior. O BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em créditos considerados problemáticos da instituição controlada por Vorcaro.
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Em declarações públicas, Ibaneis negou envolvimento em irregularidades. Procurado pelo Correio, não comentou a informação sobre eventuais mensagens cifradas para Costa.
O nome do político passou a circular em linhas investigativas da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele deixou o cargo em abril deste ano para concorrer nas eleições de outubro. Desde então, reduziu sua agenda e é pouco visto em eventos públicos.
As apurações da PF provocam preocupação em outras unidades da Federação por causa de fundos de previdência estaduais e institutos públicos que mantinham aplicações em produtos financeiros ligados ao Banco Master. Investigadores analisam se gestores públicos de diferentes estados autorizaram operações consideradas de alto risco sem mecanismos adequados de controle e governança.
Na semana passada, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou mandados de busca e apreensão contra Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro, atendendo a pedido da PF. Os investigadores apuram aportes realizados pelo Rioprevidência em contratos do Master, em operações que teriam alcançado cerca de R$ 3 bilhões entre 2023 e 2024, época em que Castro estava no cargo.
Atípicas
Segundo informações divulgadas pelo STF, essa etapa da Compliance Zero, foi um desdobramento das investigações iniciadas na Operação Barco de Papel, que identificou movimentações consideradas atípicas envolvendo recursos públicos do estado do Rio de Janeiro.
Além do Rioprevidência, outros fundos estão na mira da PF, e autoridades policiais apuram eventual envolvimento da cúpula dos governos estaduais no esquema envolvendo o Master. No Amazonas, a suspeita é de pode ter ocorrido um rombo de R$ 50 milhões. No Amapá, um investimento de R$ 400 milhões feito pela Amapá Previdência (Amprev) em Letras Financeiras do Banco Master está sob lupa da corporação. As diligências correm no escopo da Operação Zona Cinzenta, que apura suspeita de gestão fraudulenta e temerária.
Além dos estados, municípios estão na mira. A MaceióPrev, fundo de previdência, pode ter sofrido prejuízo de R$ 97 milhões. Na São Roque Prev, do município de mesmo nome localizado no interior de São Paulo, as investigações dão conta de fraudes de R$ 93,1 milhões.
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