
Durante agenda no Pará, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusou nesta quinta-feira (11/6) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de atuar em favor de facções criminosas durante visita aos Estados Unidos. “Enquanto o Lula vai para os Estados Unidos fazer lobby a favor de traficantes e de terroristas do CV, nós fomos lá pedir que eles fossem declarados terroristas”, afirmou o parlamentar.
A declaração foi feita durante encontro com lideranças do agronegócio em Altamira, sudoeste do estado. Ainda nesta quinta-feira (11/6), Flávio participa do lançamento da pré-campanha do deputado Éder Mauro (PL) ao Senado, em Belém.
A fala de Flávio se refere à decisão oficializada pelos Estados Unidos em 5 de junho, que classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida foi publicada no Federal Register e assinada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. O senador defende que o Brasil adote o mesmo enquadramento das facções.
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A decisão americana foi anunciada dias após visita de Flávio Bolsonaro a Washington, onde ele se encontrou com o presidente Donald Trump, o vice-presidente J.D. Vance e Marco Rubio. A pesquisa Quaest divulgada nesta semana aponta que 47% dos brasileiros acreditam que o senador influenciou a decisão dos Estados Unidos, enquanto 37% não veem participação do senador.
O levantamento também aponta divisão da opinião pública sobre a decisão norte-americana: 45% apoiam a classificação das facções como terroristas e 45% são contrários. Já sobre a adoção da mesma medida pelo governo brasileiro, 60% defendem o enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, enquanto 29% discordam.
O governo Lula, por sua vez, se manifestou contrário a medida. Antes do encontro com Trump, em maio, e anúncio da decisão americana, o Palácio do Planalto chegou a enviar à Casa Branca um documento detalhando ações de combate ao crime organizado, na tentativa de manter o tratamento jurídico atualmente adotado no país.
Durante visita aos Estados Unidos, Lula discutiu com Trump iniciativas conjuntas para combater organizações criminosas transnacionais e ampliar a cooperação entre os dois países no enfrentamento ao crime organizado. Segundo o presidente brasileiro, não houve discussão específica sobre o PCC e o Comando Vermelho durante a reunião.
É possível que Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump voltam a se encontrar durante o encontro do G7. Essa possibilidade, embora sustentada por governistas, não é comentada pelo Ministério das Relações Exteriores. A ida de Lula ao G7 ocorrerá no contexto em que os Estados Unidos anunciaram tanto a classificação das facções criminosas como grupos terroristas internacionais quanto a taxação de 25% a importações brasileiras levadas aos EUA.

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