Ex-presidente preso

GSI nega responsabilidade sobre segurança de Bolsonaro e militar flagrado com arma

Órgão esclareceu que agentes de ex-presidentes são de livre indicação e não possuem subordinação ao Gabinete de Segurança; investigação coincide com fim do prazo de prisão domiciliar

A investigação se concentra na apreensão, na noite de 15 de junho, de uma pistola Glock 9 milímetros, registrada em nome de Bolsonaro -  (crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)
A investigação se concentra na apreensão, na noite de 15 de junho, de uma pistola Glock 9 milímetros, registrada em nome de Bolsonaro - (crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

Após ser acionado pelo Correio, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) esclareceu que não possui qualquer responsabilidade operacional ou administrativa sobre a segurança do ex-presidente Jair Bolsonaro, nem sobre o militar flagrado com uma arma pertencente ao ex-chefe do Executivo.

O órgão afirmou categoricamente que o militar envolvido não pertence aos quadros do GSI e que os veículos utilizados na escolta do ex-presidente não integram a frota da instituição. Segundo a nota, amparada pela Lei n° 7.474/1986 e pelo Decreto nº 6.381/2008, os servidores que atuam com ex-presidentes são de livre indicação destes e não possuem subordinação ao gabinete.

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Em posicionamento oficial enviado à reportagem, o órgão detalhou o funcionamento da estrutura de apoio aos antigos chefes do Executivo. "Os servidores à disposição dos ex-presidentes são de livre indicação dos mesmos e não estão subordinados nem vinculados operacionalmente ao GSI, conforme dispõem a Lei Nº 7.474, de 8 de maio de 1986, e o Decreto Nº 6.381, de 27 de fevereiro de 2008”.

Dessa forma, caberia à instituição somente o suporte técnico de preparação dessas equipes. O GSI informou ainda que, de acordo com o decreto que regulamenta a matéria, a sua atuação se limita a oferecer a capacitação e a avaliação de servidores e de condutores de veículos que integram a segurança dos ex-presidentes da República, conforme os termos estabelecidos pela Portaria GSI/PR Nº 136, de 20 de setembro de 2024. 

"Os veículos empregados na segurança de ex-presidentes não pertencem ao GSI. Além disso, o GSI não exerce gestão das escalas ou do emprego operacional dos agentes de segurança de ex-presidentes”, destacou o gabinete ao rechaçar qualquer vínculo patrimonial ou gerencial com a logística de transporte e com as rotinas de trabalho dos agentes que servem ao ex-presidente.

A investigação se concentra na apreensão, na noite de 15 de junho, de uma pistola Glock 9 milímetros, registrada em nome de Bolsonaro. A arma e um carregador sobressalente foram encontrados durante uma blitz da Lei Seca em Taguatinga, no Distrito Federal, em posse do militar Estácio Leite da Silva.

Embora o registro da arma estivesse regular, ela foi recolhida pela ausência do Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) no momento do transporte.

Em decorrência do caso, o ex-presidente prestou um depoimento à Polícia Civil do DF na terça-feira (23/6), em sua residência em Brasília. A oitiva, conduzida pelo delegado Thiago Boeing, foi extremamente célere, durando apenas cinco minutos, dentro de uma visita total de 40 minutos dos investigadores.

Tese da defesa

A defesa de Jair Bolsonaro, liderada pelo advogado Paulo Cunha Bueno, apresentou uma justificativa baseada na inoperância da arma e no estado de saúde mental do ex-presidente. Segundo os advogados, a equipe de segurança havia retirado o percussor — peça essencial para o disparo — sem o conhecimento de Bolsonaro, como uma medida preventiva, já que o ex-presidente faz uso de medicamentos psiquiátricos que afetam sua cognição.

Para embasar o argumento, a defesa citou um episódio de novembro de 2025, no qual o político teria tentado romper sua tornozeleira eletrônica sob o efeito de alucinações e paranoia. Ainda de acordo com a versão apresentada, Bolsonaro teria notado a falha no mecanismo ao manusear o armamento e solicitado que um segurança o levasse para o conserto, justificando o motivo pelo qual o objeto estava sendo transportado no momento da blitz.

Impacto jurídico

O caso vem à tona em um momento crítico, coincidindo com o encerramento, nesta quinta-feira (25), do prazo de 90 dias da prisão domiciliar humanitária concedida ao ex-presidente. Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro havia obtido o benefício em 27 de março para tratar um quadro de broncopneumonia.

Agora, a investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) avalia se houve crime de posse ilegal ou cessão de arma de fogo, delitos previstos na Lei 10.826/2003 com penas de 3 a 6 anos de reclusão.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que, embora a falha mecânica possa abrandar a gravidade do delito, mesmo uma arma inoperante pode configurar crime de posse. Além disso, a prática de uma nova infração penal durante o cumprimento da pena é considerada falta grave e pode interferir diretamente na manutenção do regime domiciliar.

Diante deste cenário, caberá ao ministro Alexandre de Moraes analisar se prorroga o benefício humanitário ou se determina o retorno de Bolsonaro ao 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha, podendo inclusive ordenar uma nova perícia médica oficial.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) já emitiu uma manifestação preliminar indicando que a apreensão do armamento, por si só, não comprova o descumprimento das regras impostas ao ex-presidente.

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postado em 25/06/2026 16:42 / atualizado em 25/06/2026 16:50
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