
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou, nas redes sociais, que o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, sabia da “proximidade tóxica” que cerca ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL). “Não é o primeiro, nem será o último que entra pelo cano com os malfeitos no orçamento. (…) Muita gente está sem dormir”, escreveu em uma publicação no X.
O comentário faz referência à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que determinou o bloqueio de bens de Valdemar Costa Neto e do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.
Calheiros menciona “Tuca”, apelido da servidora da Câmara Mariângela Fialek. “A assessora, conhecida por Tuca, é nitroglicerina”, escreveu. Segundo a Polícia Federal (PF), ela atuava como operadora do esquema de repasses irregulares de emendas parlamentares. Calheiros é um dos principais adversários políticos de Arthur Lira em Alagoas.
Entenda a atuação de Tuca segundo a PF
Segundo a PF, a servidora dominava os sistemas internos e os fluxos de tramitação das emendas parlamentares, o que lhe permitia acompanhar, remanejar e fracionar recursos conforme as orientações atribuídas a Eduardo Cunha. A investigação sustenta que, embora não exercesse mandato desde 2016, o ex-deputado continuou influenciando a distribuição de verbas da Comissão de Saúde.
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Parte dessa conclusão decorre da análise do telefone celular apreendido com Mariângela. De acordo com os investigadores, o aparelho continha planilhas, anotações e mensagens que indicariam a existência de uma estrutura paralela de gerenciamento de emendas, supostamente coordenada por Cunha. Os registros apontam negociações sobre a destinação de recursos e alterações de beneficiários de acordo com interesses políticos.
Bloqueios
O ministro Flávio Dino, do STF, determinou o bloqueio de R$ 6,15 milhões em bens e ativos do ex-deputado Eduardo Cunha no âmbito de uma investigação que apura supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares da Câmara dos Deputados.
A decisão tem como base uma investigação da PF que identificou, segundo o ministro, indícios de que Cunha, mesmo após perder o mandato em 2016, manteve influência sobre a definição de recursos públicos por meio de um “arranjo decisório paralelo”. Para Dino, os elementos reunidos apontam “sintomas inequívocos” da possível prática de peculato.
A investigação é um desdobramento da Operação Transparência e aponta que Cunha teria utilizado a estrutura de apoio da Câmara para interferir na indicação de emendas da Comissão de Saúde. A PF identificou 29 emendas que somam mais de R$ 6 milhões e que, segundo a apuração, teriam sido formalizadas de forma a ocultar o papel do ex-deputado como articulador das demandas.
Um dos pontos centrais da investigação são as mensagens encontradas no celular de Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”. De acordo com a PF, os diálogos indicam que Cunha atuava como uma espécie de líder partidário informal, orientando alterações na destinação dos recursos mesmo sem exercer mandato eletivo.
As conversas também apontam a existência de uma “cota informal” de recursos direcionada a Minas Gerais. A investigação avalia que Cunha buscava ampliar sua influência política no estado e participava diretamente das decisões sobre os municípios beneficiados pelas emendas.

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