PRIMEIRA-DAMA

Janja fala sobre ataques e defende criminalização da misoginia

Primeira-dama rebateu críticas sobre gastos em viagens, relatou assédio sofrido e se solidarizou com Michelle e Damares

Janja relatou ter sido vítima de assédio no papel de primeira-dama -  (crédito: Reprodução/YouTube/ Uol)
Janja relatou ter sido vítima de assédio no papel de primeira-dama - (crédito: Reprodução/YouTube/ Uol)

A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, afirmou nesta segunda-feira (13/7), em entrevista ao podcast Frente a Frente, do Canal UOL em parceria com Folha de S. Paulo, que os ataques direcionados a ela fazem parte de uma estratégia da extrema-direita para atingir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ao longo da conversa, ela também respondeu a críticas sobre viagens internacionais, voltou a relatar episódios de assédio, defendeu a criminalização da misoginia e prestou solidariedade a mulheres da oposição que também têm sido alvo de violência de gênero.

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Segundo Janja, a ofensiva contra sua atuação ocorre porque ela se tornou um caminho mais fácil para atingir o chefe do Executivo. "É mais fácil me atingir para atingir o presidente da República. Isso é dado, é fato. Faz parte da estratégia política da extrema direita. Contra isso, não tenho como combater", declarou.

Ao comentar as críticas relacionadas à sua atuação como primeira-dama, ela afirmou que o Brasil nunca teve uma ocupante do posto que exercesse funções de trabalho de forma efetiva. Segundo Janja, sua rotina inclui reuniões frequentes no Palácio do Planalto, viagens institucionais e agendas que, de acordo com ela, são divulgadas em suas redes sociais.

A primeira-dama também atribuiu parte das críticas ao preconceito de classe e à misoginia. Para ela, seu histórico de vida contribui para a forma como é tratada, em contraste com outras primeiras-damas.

"Eu não venho de uma família rica, venho de uma família pobre. Fiz universidade pública, fiz universidade trabalhando, fui trabalhar fora, ralei para caramba. Então isso tudo conta, entendeu? Eu não tenho mestrado nem doutorado porque não foi essa a minha opção de vida. Eu não queria ir para a academia, não queria ser intelectual."

Ela ainda criticou a cobertura da imprensa sobre sua atuação, afirmando que há maior interesse em polêmicas do que nas pautas que desenvolve, como o combate ao feminicídio e à insegurança alimentar. "Todas as minhas agendas são públicas. Se a imprensa não quer saber ou as pessoas não querem saber, aí não é responsabilidade minha", afirmou.

Viagens internacionais e gastos

Durante a entrevista, Janja rebateu as críticas de opositores que a classificam como "gastadeira" em razão das viagens internacionais que realiza como primeira-dama. Segundo ela, essa imagem é resultado de "misoginia pura" e desconsidera as exigências de segurança que acompanham suas agendas oficiais.

Ela explicou que, por determinação da Polícia Federal (PF), precisa utilizar classe executiva nos voos internacionais e viajar acompanhada da equipe responsável por sua segurança.

"Nunca falamos sobre [ela e Lula] eu gastar demais, às vezes colocam todos os gastos da comitiva de uma viagem na minha conta. Não posso andar de econômica, tem que ser executiva, é questão de segurança. Por mim eu não andava com segurança, mas a PF tem que estar comigo. Tem alguns regramentos que eu tenho que seguir."

Janja afirmou ainda que presta contas de suas atividades e que todas as viagens oficiais seguem procedimentos de transparência. Segundo ela, há relatórios e informações públicas sobre os deslocamentos realizados.

As viagens internacionais da primeira-dama têm sido alvo de questionamentos por parte de parlamentares da oposição, principalmente em agendas relacionadas ao combate à fome e à violência contra a mulher. Em abril, no entanto, o Tribunal de Contas da União (TCU) arquivou, por unanimidade, todos os processos que investigavam despesas e deslocamentos de Janja, por entender que não houve irregularidades.

Ao comentar o tema, a primeira-dama voltou a defender a aprovação do projeto de lei (PL 896/2023)que criminaliza a misoginia, atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados. Segundo ela, o enfrentamento à violência contra as mulheres deve ser tratado como uma pauta nacional e suprapartidária.

Relato de assédio

Na entrevista, Janja também voltou a dizer que foi vítima de assédio desde que passou a exercer o papel de primeira-dama. O assunto surgiu enquanto comentava o apoio prestado à ex-ministra da Igualdade Racial Anielle Franco, que em 2024 acusou o então ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, de assédio.

"Eu fui asseadiada como primeira-dama", disse. Segundo ela, a decisão de não tornar o episódio público anteriormente foi pessoal. "Não falei porque eu não quis. Falei na hora que eu achei que eu tinha que falar", acrescentou.

Não é a primeira vez que Janja relata esse tipo de situação. Em março deste ano, durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil, ela já havia afirmado ter sido assediada em duas ocasiões desde que assumiu a função, sem detalhar os episódios.

A primeira-dama explicou que decidiu falar publicamente sobre o caso para mostrar que nenhuma mulher está livre desse tipo de violência, independentemente da posição que ocupa, e que o assédio pode ocorrer até mesmo em compromissos oficiais cercados por equipes de segurança.

O combate à violência de gênero é uma das principais bandeiras defendidas por Janja. Ela participa da articulação do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio e também atua em defesa da aprovação do projeto que equipara a misoginia ao crime de racismo.

Solidariedade a opositoras

Ao abordar a violência política de gênero, Janja também manifestou apoio à senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que recentemente passaram a ser alvo de ataques misóginos.

“Total solidariedade a elas. A gente não pode soltar a mão de qualquer mulher agredida, não importa qual é o campo ideológico dela, é importante que eu fale isso. No Pacto Nacional Contra o Feminicídio eu falei um pouco sobre isso, a violência contra a mulher, a misoginia, não tem lado", afirmou.

Na sequência, reforçou que esse tipo de violência atinge mulheres de diferentes correntes políticas.

"Não tem direita nem esquerda, não tem conservador ou progressista, é uma onda que atinge todas nós igualmente."

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postado em 14/07/2026 09:27
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