
O presidente do PT Nacional, Edinho Silva, está articulando, desde o início do ano, com partidos de centro para que adotem uma posição de neutralidade nas eleições presidenciais de 2026. Segundo interlocutores da legenda, as conversas envolvem MDB, União Brasil, Progressistas, Republicanos, PSDB e PSD, com o objetivo de evitar alianças formais com adversários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A iniciativa da sigla leva em conta o fato de que os partidos integram a base do governo federal, mas um apoio oficial é improvável. De acordo com a interlocução, a construção desse cenário de neutralidade tem sido uma das principais missões atribuídas a Edinho Silva pelo chefe do Executivo.
Em uma vitória para Lula, a direção nacional do Progressistas (PP) decidiu adotar a neutralidade na disputa presidencial e dará liberdade para que diretórios estaduais definam seus próprios palanques nas eleições. Conforme ressaltou ao Correio um cacique da sigla, essa foi "a melhor" decisão para um primeiro turno entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
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A aliados, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI), sinalizou que o espaço para diálogo seguirá aberto com ambos candidatos, mas que o rumo agora é a neutralidade.
Na terça-feira, por exemplo, o líder do PP na Câmara, Doutor Luizinho (RJ), reuniu-se com Lula. Segundo apurou a reportagem, o tema esteve entre os assuntos tratados no encontro, em meio às articulações do Palácio do Planalto para ampliar o diálogo com partidos do Centrão.
A interlocução para a construção desse entendimento contou com a participação de ministros do primeiro escalão do governo. Entre os principais articuladores está o titular da Pesca e Agricultura, André de Paula (PSD-PE), que atuou para aproximar o Planalto da direção do Progressistas e defender uma saída que preservasse a relação institucional entre o governo e a legenda. Também participaram o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), e o próprio Edinho Silva.
A posição de neutralidade nas eleições presidenciais permite que os diretórios estaduais tenham mais liberdade para estabelecer alianças independentes. A federação PP-União em São Paulo, por exemplo, declarou apoio a Flávio e à reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo do estado. Já na Paraíba, o governador Lucas Ribeiro declarou apoio a Lula.
Redução de riscos
De acordo com o advogado, coordenador jurídico do escritório Wilton Gomes Advogados e especialista em direito eleitoral, Marcos Jorge, a neutralidade pode ser vista como uma maneira de evitar tensões políticas. "Se nenhum candidato oferece vantagens claras para a legenda, a neutralidade pode ser vista como uma forma de reduzir riscos políticos. Além disso, partidos com perfil mais pragmático frequentemente buscam manter capacidade de interlocução com diferentes forças políticas, independentemente do resultado da eleição", diz.
Marcos Jorge entende que, no caso do Progressistas, a neutralidade significa a preservação da unidade interna, a facilitação de articular diferentes estratégias regionais e a possibilidade de concentrar esforços nos governos estaduais e no Legislativo.
"A neutralidade também pode facilitar o diálogo com o futuro governo, independentemente de quem seja eleito. Em disputas muito polarizadas, a neutralidade tende a ser mais difícil de sustentar, pois aumenta a pressão de eleitores, aliados e candidatos por um posicionamento claro", avalia.
O advogado aponta, no entanto, para eventuais reveses. "Essa estratégia pode envolver outros riscos, pois o partido pode perder protagonismo no debate nacional, transmitir uma percepção de indefinição ao eleitorado e reduzir sua capacidade de influenciar a agenda presidencial durante a campanha", destaca.
Para Henrique Hellas, cientista político da assessoria Continuum Private, a decisão do PP reflete uma característica estrutural do sistema partidário brasileiro. "O que esse movimento tem mostrado sobre o sistema partidário brasileiro é que as alianças nacionais dependem cada vez mais dos interesses estaduais e regionais. Muitos partidos têm funcionado muito mais como estrutura ampla e heterogênea, na qual a prioridade é eleger os seus governadores, senadores e deputados, muito menos do que a eleição presidencial, que acaba sendo negociada a partir dessas conveniências de cada região", ressalta.
*Estagiária sob a supervisão de Cida Barbosa
Saiba Mais
Armando Holanda
Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco. Já passou pelas redações da Folha de Pernambuco, Diario de Pernambuco, SputnikNews Brasil e América Latina, além de passagens por grandes portais de notícias, a exemplo do Metrópoles. Vencedor d

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