
Com o Supremo Tribunal Federal (STF) imerso no seu mais profundo conflito desde a redemocratização, o presidente da Corte, Edson Fachin, agiu para tentar estancar a crise. Em três despachos, nessa quarta-feira, o magistrado suspendeu decisões monocráticas dos ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; manteve o dirigente da corporação no cargo; e marcou para a próxima terça-feira (15/9) uma sessão do plenário com o objetivo de definir se haverá abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por suposto envolvimento com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
A sessão está marcada para as 10h. No texto, Fachin não diz se será aberta e transmitida ao vivo, como de praxe. Mas a tendência é de que ocorra com debates públicos e com possibilidade de cobertura por parte da imprensa.
Também nessa quarta-feira, Fachin removeu Moraes da relatoria do Inquérito das Fake News. O ministro conduzia o caso desde 2019, após ser escolhido pelo então presidente do Supremo, Dias Toffoli. A diligência foi aberta para apurar "fake news e ataques contra a Corte". Com a decisão, o inquérito ficará sob responsabilidade do próprio Fachin.
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As decisões do presidente do STF anularam tanto a ordem de Mendonça que determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da PF — sob a alegação de que a permanência do dirigente no cargo poderia comprometer as investigações sobre a produção de relatórios de inteligência considerados irregulares — quanto a ordem de Dino de reintegrar Rodrigues às suas funções.
"É grave o quadro em que decisões de ministros passam a ser desafiadas horizontalmente, mormente quando pendentes, tanto o julgamento em curso no âmbito da Segunda Turma deste Tribunal, quanto o pedido de suspensão de liminar que se encontra sob apreciação desta Presidência", escreveu Fachin em uma das decisões.
Segundo enfatizou o ministro, "a Presidência tem o dever de zelar pela preservação da integridade da Corte e tem a convicção de que o faz e fará, nos termos do art. 13, I, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal". "Todos os elementos contidos nas decisões proferidas até o presente momento evidenciam que os fatos merecem a devida elucidação. Há especial dever de assegurar a integridade e a adequada direção dos trabalhos desta Corte", ressaltou, no despacho.
O magistrado destacou que a situação envolvendo a guerra de liminares configuram "lesão à ordem" pública e ao tribunal. "Considero necessária a suspensão das decisões ora analisadas, porquanto, para além de qualquer juízo meritório sobre o afastamento ou não de autoridades, o qual será realizado oportunamente, cumpre obstar quadro de conflitos e sobreposições processuais que, por si só, configuram lesão à ordem pública e à integridade deste Tribunal", completou.
As ordens de Fachin ocorrem em meio aos embates entre Moraes e Mendonça no contexto das investigações sobre o esquema de fraudes do Banco Master. Moraes incluiu o colega no Inquérito das Fake News, acusando-o de crime de responsabilidade, improbidade administrativa e abuso de autoridade.
O inquérito das fake news é considerado um dos mais polêmicos da Corte e que empoderou Moraes com relação aos demais ministros. Na época de abertura do procedimento, a Procuradoria-Geral da República (PGR), comandada por Raquel Dodge, defendeu mais de uma vez que a investigação fosse arquivada. O sucessor, Augusto Aras, posicionou-se pela constitucionalidade. Em uma votação no plenário, o Supremo decidiu manter o inquérito por 10 votos a 1, em uma análise que tratava de uma ação da Rede Sustentabilidade pedindo o arquivamento.
O ex-presidente Jair Bolsonaro — preso por tentativa de golpe de Estado e outros crimes — e seus aliados foram alvos de ações realizadas no âmbito do inquérito. Neste ano, Moraes usou o procedimento para quebrar o sigilo do jornalista Luís Pablo, do Maranhão. Ele atendeu pedido do ministro Flávio Dino, que alega perseguição por parte do comunicador.
Saiba Mais
Renato Souza
RepórterRepórter de política, setorista do Supremo Tribunal Federal (STF). Vencedor do Prêmio CNT de Jornalismo, possuí passagens pelo SBT, Record/R7 e está entre os jornalistas mais influentes do Twitter no Brasil.

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