
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nessa quinta-feira, os impactos ao processo eleitoral com a crise que assola o Supremo Tribunal Federal (STF) e reclamou de decisões da Corte com "viés político".
Segundo o presidente, o problema ocorre quando informações sigilosas são divulgadas de forma seletiva durante o período eleitoral. "Quando chega a época política, as pessoas começam a fazer determinados vazamentos que possuem viés político. Portanto, não se pode brincar com as pessoas, mentir sobre elas ou utilizar indevidamente informações sigilosas de um juiz para fazer vazamentos seletivos", disparou, em entrevista ao SBT Brasil.
Lula disse que, quando um juiz possui uma informação sigilosa, cabe a ele impedir que o conteúdo seja divulgado de maneira a beneficiar ou prejudicar determinadas pessoas. "É importante recuperar a imagem da instituição Suprema Corte perante a sociedade brasileira, pois não faz sentido a situação atual", afirmou.
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Na avaliação do petista, o presidente do STF, Edson Fachin, agiu corretamente ao tomar medidas para tentar conter a crise no tribunal. "Ele vai ter que pegar esse processo, trazer para si, colocar ordem na casa e fazer com que a Suprema Corte realize um processo de apuração: apurar tudo e divulgar tudo, doa quem doer", afirmou.
O chefe do Executivo defendeu uma nova reforma do Poder Judiciário. Ele citou a reformulação realizada durante seu primeiro mandato e afirmou que pretende discutir mudanças com a sociedade. "Eu vou conversar com a sociedade brasileira, com tudo que é especialista. Nós precisamos fazer uma reforma no Poder Judiciário da primeira à última instância. É preciso criar critérios, porque senão as pessoas vão virando Deus e acham que podem tudo", argumentou.
Ele defendeu um debate sobre fixar mandatos para ministros do STF. "Hoje, acho que é preciso a gente discutir um mandato para a Suprema Corte. Ninguém pode ficar 40 anos no mesmo cargo. Vamos ter de discutir se um advogado pode ter um escritório na Suprema Corte", destacou. "Uma vez, falei brincando: quem quiser ser da Suprema Corte, não pode querer ser rico", acrescentou.
Ao comentar pesquisas recentes que apontam sua queda nas intenções de voto, Lula afirmou que os levantamentos não interferem na condução da campanha. De acordo com ele, os resultados servem como referência para avaliar os próximos passos. "A pesquisa é um reflexo para gente poder saber o que fazer dali para frente. E como tem muita pesquisa, você tem que saber qual é que você avalia", declarou.
Lula também afirmou que seu governo mantém uma política de responsabilidade fiscal e rejeitou a necessidade de discutir o ajuste como uma questão separada da execução da administrção. "No meu governo não tem essa de ficar discutindo ajude fiscal, não. Ajuste fiscal eu faço na prática. São 8 anos mais 4 anos. Agora, 12 anos de responsabilidade fiscal", frisou.
Sobre o salário mínimo, afirmou que os reajustes não provocam inflação e defendeu a manutenção da política de aumento acima da inflação, considerando também o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
Ao falar a respeito da inflação dos alimentos, o presidente comparou os índices registrados durante o governo Jair Bolsonaro com os de sua gestão. "Eu herdei uma inflação de alimentos no governo Bolsonaro de 56%. Sabe qual é a inflação de alimentos no meu governo? 13%", afirmou.
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