O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve defender o multilateralismo e a não interferência em assuntos internos de outros países durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, na próxima terça-feira (22/9). A informação foi dada pelo embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Itamaraty.
Segundo Cozendey, a expectativa é que Lula faça uma “defesa forte do multilateralismo” diante do cenário de conflitos internacionais. O presidente também deve abordar o direito internacional humanitário e a necessidade de negociações de paz.
“A nossa expectativa é que ele contenha, em função do momento que vivemos, uma defesa forte do multilateralismo, como linha básica da política externa brasileira”, afirmou.
O embaixador ressaltou, contudo, que o discurso ainda não está fechado. De acordo com ele, Lula costuma fazer alterações no texto até momentos antes da fala.
A agenda do presidente em Nova York será curta. Lula chega no domingo à noite, terá encontros bilaterais ainda em definição na segunda-feira e, na terça-feira, participa da abertura da Assembleia Geral, às 9h, além de se reunir com o secretário-geral da ONU, António Guterres. Em seguida, retorna ao Brasil.
Trump
Cozendey afirmou que, até o momento, não há previsão de uma reunião bilateral entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os dois devem se cruzar durante a abertura da Assembleia Geral, já que o Brasil mantém a tradição de ser o primeiro país a discursar, seguido pelos Estados Unidos.
“Não há previsão de uma bilateral específica”, disse o embaixador. Segundo ele, a lista de pedidos de reuniões com Lula é extensa, mas ainda não havia definição sobre quais encontros seriam realizados.
Também não havia, segundo o Itamaraty, uma definição sobre eventual reunião ministerial para tratar das tarifas entre Brasil e Estados Unidos.
Conselho de Segurança
A reforma do Conselho de Segurança da ONU deverá continuar entre os temas defendidos pelo governo brasileiro. Cozendey afirmou que Lula tem criticado a paralisação do órgão, especialmente em razão do poder de veto dos cinco membros permanentes.
O embaixador explicou, porém, que não há previsão de uma decisão sobre a reforma durante a Assembleia Geral. O tema segue sendo discutido em um grupo de trabalho específico dentro da organização. “A questão da reforma da ONU é uma questão muito chave. A questão do Conselho de Segurança é uma questão chave, que tem sido recorrente na atuação brasileira”, afirmou.
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