
Uma carta divulgada neste sábado (17/10) reúne 15 personalidades em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Entre os signatários estão Beatriz Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ex-ministros de seu governo e Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff (PT).
Intitulado “Pela democracia, pela estabilidade, pelo desenvolvimento com justiça social e ambiental e pelo Brasil”, o manifesto defende a continuidade da chapa de Lula e Alckmin. Os signatários afirmam que a reeleição oferece melhores condições para preservar o equilíbrio entre os Poderes, as liberdades democráticas e as conquistas sociais.
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O documento também faz críticas ao projeto político de Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno. Segundo os autores, a candidatura representa riscos de retrocessos institucionais e sociais, além de ameaçar a atuação internacional do Brasil.
A lista reúne nomes que passaram por diferentes governos. Além da filha de FHC, há ex-ministros tucanos, um ex-chanceler do governo Michel Temer (MDB), economistas, juristas, ambientalistas e intelectuais.
A participação de Miguel Reale Júnior chama atenção pelo papel que desempenhou no impeachment de Dilma Rousseff. Jurista e ex-ministro da Justiça de FHC, ele assinou, ao lado de Hélio Bicudo e Janaína Paschoal, o pedido que deu origem ao processo contra a então presidente, em 2015.
Outro nome ligado ao governo tucano é José Carlos Dias, que também comandou o Ministério da Justiça durante a gestão de FHC. José Carlos Carvalho, por sua vez, foi ministro do Meio Ambiente no mesmo governo. Já Aloysio Nunes Ferreira chefiou o Ministério das Relações Exteriores durante a gestão de Temer.
Apesar do apoio eleitoral, os autores ressaltam que a adesão não significa concordância irrestrita com Lula. “Muitos de nós temos diferenças com o presidente Lula e críticas a seu governo”, afirma a carta, que defende a independência dos signatários para expressar suas divergências.
O manifesto sustenta que, diante da polarização política, a defesa da democracia e das instituições deve prevalecer sobre diferenças partidárias. O texto também defende o respeito à diversidade, aos direitos fundamentais e à imprensa, além de associar o desenvolvimento econômico à responsabilidade ambiental e à redução das desigualdades.
Quem assinou a carta:
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Aloysio Nunes Ferreira — ex-senador e ex-ministro das Relações Exteriores do governo Michel Temer.
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Beatriz Bracher — escritora e autora de obras de ficção.
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Beatriz Cardoso — educadora e filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
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Carlos Nobre — climatologista e pesquisador reconhecido por seus estudos sobre a Amazônia e as mudanças climáticas.
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Claudia Costin — especialista em educação e ex-ministra da Administração Federal e Reforma do Estado no governo FHC.
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Eduardo Giannetti — economista e escritor.
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Fabio Feldmann — ambientalista e ex-deputado federal constituinte.
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Floriano Pesaro — sociólogo e político, com passagem pela Câmara dos Deputados e pela Prefeitura de São Paulo.
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José Carlos Carvalho — engenheiro florestal e ex-ministro do Meio Ambiente no governo FHC.
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Izabella Teixeira — ex-ministra do Meio Ambiente no governo Dilma Rousseff.
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José Carlos Dias — advogado e ex-ministro da Justiça no governo FHC.
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Miguel Reale Júnior — jurista, ex-ministro da Justiça de FHC e um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff.
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Rosiska Darcy de Oliveira — escritora, jornalista e integrante da Academia Brasileira de Letras.
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Oscar Vilhena Vieira — advogado, jurista e professor de Direito Constitucional.
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Rubens Ricupero — diplomata e ex-ministro da Fazenda e do Meio Ambiente no governo Itamar Franco.
Leia na íntegra
Pela democracia, pela estabilidade,pelo desenvolvimento com justiçasocial e ambiental e pelo Brasil.Uma declaração de apoioà reeleição de Lula e Alckmin.
Neste segundo turno, o Brasil está diante de uma escolhaque ultrapassa diferenças partidárias e preferências ideológicas.Está em jogo a capacidade do país de preservar a estabilidadeinstitucional, o equilíbrio entre os Poderes, as liberdades democráticas;de enfrentar a crise climática, cuidar de nossos biomas, dos povosindígenas, das comunidades tradicionais e de toda a populaçãosacrificada pela acentuada desigualdade social. Está em riscoum caminho capaz de levar ao desenvolvimento econômicocom justiça social, soberania e paz.
Nós, que temos distintas origens, trajetórias e visões sobre muitosdos desafios nacionais, entendemos que, sobretudo nos momentosde maior polarização, a democracia é o nosso norte comum,e ela exige responsabilidade, respeito às instituições e compromissoinequívoco com a Constituição.
Consideramos que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silvaoferece ao país melhores condições para assegurar esse equilíbrioinstitucional, preservar direitos e liberdades, manter canais de diálogo entrediferentes setores da sociedade e com espaço geopolítico global, e evitarretrocessos institucionais, preservando conquistas sociais, trabalhistas,educacionais, na saúde pública e na proteção ambiental. Ao mesmo tempovemos, no projeto representado por Flávio Bolsonaro, ameaças a essesprincípios, intenções de desarticular patamares de conquistas sociaisá consolidados e riscos à interlocuçã internacionalmultilateral consagrada pelo Brasil.
O Brasil precisa crescer, gerar empregos, estimular a inovação,recuperar sua capacidade industrial, estimular a agricultura de baixocarbono, avançar na educação, criar oportunidades para seus cidadãose corrigir erros, onde isso se fizer necessário.
Esse desenvolvimento deve estar associado à estabilidade econômica,à ciência, à tecnologia e à responsabilidade ambiental, coma preservação de nossas riquezas naturais. Florestas, água,biodiversidade e minerais estratégicos são parte da soberaniabrasileira e devem contribuir para o desenvolvimento do país, com usoresponsável desses recursos e compromisso com as futuras gerações.
Também consideramos indispensável que o próximo governo respeitea diversidade da sociedade brasileira, proteja direitos fundamentais,sem transformar adversários políticos, instituições públicas, universidades,imprensa ou organizações da sociedade civil em inimigos.
Muitos de nós temos diferenças com o presidente Lula e críticas a seu governo, e preservaremos nossa independência para expressá-las.É justamente por valorizarmos o pluralismo que fazemos esta escolha.Antes de apoio a um nome, esta manifestação é de apoio ao Brasil,ao nosso espaço nacional e aos seus valores fundamentais comuns.
Política
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