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Eleições: "Debate frustrou o eleitor", avalia cientista político

Jorge Mizael afirmou ao CB.Poder que o debate foi geracional e deixou de abordar questões atuais e relevantes

Para o especialista, Lula buscou interagir, enquanto Flávio priorizou cortes para as redes sociais, reduzindo o diálogo entre os candidatos -  (crédito:  )
Para o especialista, Lula buscou interagir, enquanto Flávio priorizou cortes para as redes sociais, reduzindo o diálogo entre os candidatos - (crédito: )

O cientista político e sócio da Metapolítica Consultoria, Jorge Mizael, participou do programa CB.Poder — uma parceria entre o Correio e a TV Brasília — nesta segunda-feira (19/10). Ele conversou com as jornalistas Ana Maria Campos e Mila Ferreira sobre os efeitos do debate entre os candidatos à Presidência realizado neste domingo (18) pela Band.

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O convidado classificou o encontro como um “debate geracional”, com estratégias distintas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Segundo ele, Lula buscou debater e interagir, enquanto Flávio tentou produzir cortes voltados às redes sociais. Por isso, demorou a haver um mínimo de interação entre os dois candidatos.

“Na minha avaliação, Flávio sabia que não poderia entrar no terreno do candidato Lula. Por isso, tentou se afastar, não responder e esquivar-se da interação e do debate propriamente dito. Essa postura causou irritação em Lula e na plateia. Assistia ao debate por dever profissional, mas duvido que o público pouco engajado — as pessoas que se abstiveram ou votaram em branco ou nulo — tenha permanecido assistindo até o final. Foi um debate pobre de conteúdo, justamente pela falta de interação entre os dois candidatos”, afirmou.

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Na avaliação do entrevistado, Flávio alcançou seu objetivo, enquanto Lula não. Isso porque o candidato do PL teria participado do debate para obter cortes virais e memes, explorando uma diferença geracional para demonstrar que possui mais energia, vigor e domínio das nuances das redes sociais.

“Por sua vez, Lula tentou debater e apresentar sua trajetória e compreensão de políticas públicas estruturantes, como educação, saúde e saneamento. Contudo, nenhum desses temas foi efetivamente debatido. Dessa forma, Flávio conseguiu viabilizar sua estratégia, ao passo que Lula não conseguiu implementar a dele e teve de se adaptar ao caminho estabelecido por seu adversário”, explicou.

Na avaliação do especialista, o debate do segundo turno frustrou os eleitores, pois os candidatos poderiam ter discutido questões atuais e relevantes, como o reposicionamento do PT em relação à redução da maioridade penal, temas centrais de segurança pública e a posição sobre a PEC que prevê o fim da escala 6x1, assunto sobre o qual Flávio também precisou se posicionar recentemente.

“Esse reposicionamento de ambos os candidatos não foi explorado, pois eles caíram na armadilha de buscar memes, cortes e lacrações, em vez de debater questões fundamentais”, destacou.

Segundo Mizael, o modelo de debate adotado pela Rede Bandeirantes, com 30 minutos em que os candidatos administram o próprio tempo, tem, em tese, um aspecto positivo por permitir maior aprofundamento. No entanto, a margem para evitar respostas é muito ampla.

“Em determinado momento, o candidato Luiz Inácio perguntou seis vezes sobre o financiamento do filme Dark Horse e o destino de R$ 154 milhões, e o oponente apenas repetia: ‘Para o filme, para o filme’. Para o público em geral — entre os quase 40 milhões de brasileiros indecisos ou desengajados no segundo turno —, esse tipo de dinâmica não gera engajamento e se assemelha a uma conversa desconexa, lembrando a metáfora do ‘samba do crioulo doido’, em que cada parte fala algo diferente e o diálogo não prospera”, ressaltou.

Na avaliação do cientista político, o próximo debate entre os dois candidatos será direcionado quase totalmente às redes sociais. Segundo ele, grupos organizados, como o liderado por André Janones, conhecido como “Exército do Lula”, e a “Tropa do Flávio”, utilizarão ostensivamente trechos do debate para alimentar as redes e tentar alterar o rumo do pleito.

“Trata-se de uma eleição totalmente aberta, na qual qualquer previsão categórica neste momento representa um risco elevado de equívoco. Qualquer evento de menor proporção pode ser decisivo”, concluiu.

Veja a entrevista completa:

 

*Estagiário sob supervisão de Rafaela Gonçalves 

 

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CY
postado em 19/10/2026 16:50
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