
A Organização dos Estados Americanos (OEA) iniciou, nesta terça-feira (20/10), uma nova etapa de acompanhamento das eleições brasileiras, com o envio de 88 especialistas e observadores de 22 países. A missão internacional vai monitorar o segundo turno da disputa presidencial e das eleições para governador, marcado para domingo (25/10), com equipes distribuídas por 21 estados e pelo Distrito Federal.
A atuação também se estenderá aos brasileiros que votam no exterior, com representantes da organização em Buenos Aires, na Argentina; Lisboa, em Portugal; Londres, no Reino Unido; e Miami, Nova York e Washington, nos Estados Unidos.
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O trabalho será concentrado na avaliação da organização do pleito, do funcionamento das urnas eletrônicas, da atuação da Justiça Eleitoral e das condições de disputa entre os candidatos. As equipes também acompanharão as campanhas, os meios de comunicação, a propaganda digital e os procedimentos de votação fora do país.
A missão é chefiada por José Miguel Insulza, ex-secretário-geral da OEA e ex-ministro das Relações Exteriores do Chile. A coordenação também reúne o ex-chanceler paraguaio Eladio Loizaga, o ex-embaixador uruguaio Agustín Espinosa Lloveras e o responsável interino pela Secretaria para o Fortalecimento da Democracia, Gerardo de Icaza.
Integram ainda a equipe Brenda Santamaría, chefe da Seção de Observação Eleitoral da OEA, e Ignacio Álvarez, vice-chefe da missão.
Durante a permanência no Brasil, os representantes internacionais terão encontros com autoridades do governo e da Justiça Eleitoral, lideranças partidárias, integrantes das campanhas, pesquisadores e organizações da sociedade civil. A intenção é reunir diferentes avaliações sobre a condução das eleições e identificar eventuais dificuldades no processo.
Esta é a quinta eleição brasileira acompanhada por uma missão da OEA. Os trabalhos recebem financiamento de Canadá, Espanha, Estados Unidos, Itália, França, Peru, Portugal, Suíça e Turquia. Após a votação, a organização divulgará um relatório preliminar com suas conclusões e recomendações para o aperfeiçoamento do sistema eleitoral.
Como funciona a observação eleitoral?
As missões de observação eleitoral são formadas por instituições nacionais ou internacionais que acompanham o processo de votação de maneira independente, sem interferir nas decisões das autoridades responsáveis pela eleição. No Brasil, a atividade é regulamentada pela Resolução nº 23.678/2021 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que estabelece critérios de imparcialidade, transparência e respeito à legislação brasileira.
O acompanhamento não se limita ao dia da votação. Os observadores podem analisar a preparação das urnas eletrônicas, os testes de segurança, o cumprimento das regras eleitorais, a atuação das campanhas e os procedimentos de apuração e divulgação dos resultados. A finalidade é avaliar o funcionamento das diferentes etapas do pleito e identificar pontos que possam ser aprimorados.
No caso da OEA, as equipes utilizam metodologias próprias e reúnem informações por meio de visitas a locais de votação, análise de documentos e reuniões com diferentes setores da sociedade. A organização realiza missões eleitorais nas Américas desde 1962, quando enviou seus primeiros representantes à Costa Rica. Seus integrantes não podem substituir mesários, alterar procedimentos de votação ou interferir na apuração.
Ao final dos trabalhos, as conclusões são apresentadas em relatórios públicos, que podem reconhecer práticas consideradas positivas e recomendar mudanças. As avaliações não substituem as decisões da Justiça Eleitoral, mas oferecem uma análise externa sobre a organização, a integridade e a transparência das eleições.
O que a OEA observou no primeiro turno de 2026?
No primeiro turno das eleições gerais brasileiras, realizado em 4 de outubro, a OEA mobilizou 91 representantes de 23 nacionalidades. A equipe acompanhou 831 seções eleitorais, distribuídas por 371 locais de votação, além de monitorar o processo em seis cidades no exterior. Em relatório divulgado no dia 6, a organização avaliou positivamente a estrutura da Justiça Eleitoral e destacou que a votação ocorreu de maneira organizada, sem incidentes de maior gravidade.
Entre os aspectos considerados favoráveis estão o funcionamento das urnas eletrônicas, os procedimentos de segurança e a capacidade de organização do TSE e dos tribunais regionais.
A missão registrou que todas as 517.179 seções eleitorais instaladas no Brasil e no exterior foram abertas no dia do pleito. Também acompanhou problemas pontuais, como filas prolongadas e interrupções de energia provocadas por condições climáticas, que não impediram a continuidade da votação nas localidades observadas.
A organização analisou ainda a instabilidade registrada no portal de divulgação dos resultados presidenciais na noite de 4 de outubro. Embora a atualização dos números tenha sido interrompida temporariamente, os observadores concluíram que a falha não comprometeu a apuração, que continuou funcionando normalmente. O sistema voltou a divulgar os dados até alcançar a totalização dos votos na madrugada seguinte.
Apesar da avaliação positiva sobre a estrutura eleitoral, a OEA manifestou preocupação com a polarização política, a circulação de desinformação e a judicialização das campanhas. O relatório também chamou atenção para a escassez de debates presidenciais televisionados e para a necessidade de maior segurança jurídica nas decisões que afetam as candidaturas.
Entre as recomendações para o segundo turno, a organização defendeu a realização de debates centrados nas propostas dos concorrentes e a adoção de medidas que proporcionem maior previsibilidade às regras da disputa.
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