O presidente nacional do PT, Edinho Silva, subiu o tom contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e passou a atrelar uma eventual vitória do senador no segundo turno da eleição presidencial a retrocessos em políticas sociais. Ao mesmo tempo, o dirigente fez um mea-culpa sobre o desempenho de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno e reconheceu que a crise envolvendo o Judiciário respingou eleitoralmente no presidente.
Edinho passou esta terça-feira (6/10) em uma maratona de entrevistas a emissoras de televisão. O tom escolhido para a largada do segundo turno foi mais combativo: além de mandar recados diretamente a Flávio, o presidente do PT buscou estabelecer uma divisão entre os projetos representados pelos dois candidatos.
Na avaliação apresentada pelo dirigente, uma eventual chegada do primogênito de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto colocaria em risco políticas sociais e avanços obtidos nos últimos anos. A estratégia passa por associar Flávio ao legado político do pai e colocar emprego, renda, direitos trabalhistas e proteção social no centro do confronto eleitoral.
A ofensiva, porém, veio acompanhada de uma autocrítica. Mais cedo, Edinho reconheceu que o desgaste envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente na reta final do primeiro turno, acabou sendo transferido para Lula por parte do eleitorado.
“A sociedade brasileira entendeu que a crise do Judiciário é uma crise do governo e o maior representante do Estado é o presidente (Lula). Então, jogou sobre ele uma responsabilidade que não é dele, mas jogou sobre ele. E nós reconhecemos isso”, admitiu Edinho.
O diagnóstico já produz efeitos na reorganização da campanha. Edinho afirmou que o PT não pretende negar a leitura das urnas e indicou que o segundo turno também deverá incorporar o debate sobre mudanças no Judiciário. O dirigente disse ainda que Lula passou a questionar o atual modelo de indicação dos ministros do Supremo e pretende ouvir juristas antes de formular uma posição definitiva sobre o tema.
É nesse ambiente que o presidente do PT assumiu o papel de uma das linhas de frente do confronto com Flávio. Se, de um lado, reconhece o desgaste sofrido por Lula, do outro tenta deslocar a pressão para o adversário e obrigá-lo a responder sobre quais políticas pretende manter, alterar ou interromper caso seja eleito.
A mudança de postura antecipa uma campanha mais dura do que a vista durante boa parte do primeiro turno. Dentro do PT, o contraste entre os dois projetos deverá ser explorado como um dos principais eixos da disputa: enquanto Lula será apresentado como defensor da continuidade e ampliação das políticas sociais, a direção petista tentará vincular Flávio à possibilidade de retirada de direitos e ao retorno de políticas adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro.
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