Encontro com o chef

Filho de Ninny, chef italiano que morreu em junho, mantém o legado do pai

Depois da morte de Ninny, em junho deste ano, o único filho do chef italiano decide seguir com o legado do pai e manter aberto o tradicional restaurante da Asa Norte

 Luca, do restaurante Ninny. S..bado, 29 de novembro. Mariana Campos
     -  (crédito: Mariana Campos/CB/D.A Press)
Luca, do restaurante Ninny. S..bado, 29 de novembro. Mariana Campos - (crédito: Mariana Campos/CB/D.A Press)

As primeiras memórias de Luca Sagazio Di Giovanni sempre envolvem o restaurante do pai. Foi lá que o jovem, hoje com 25 anos, celebrou o primeiro aniversário e era para lá que costumava ir com os amigos depois de jogar bola na quadra. Tradicional casa de massas da cidade, o Ninny (@ninnyrestaurante) abriu as portas em 1999, tendo à frente o chef Antonino Di Giovanni, ou simplesmente Ninny, pai de Luca.

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Luca cresceu e ganhou o mundo. Aos 15 anos, embarcou para os Estados Unidos, onde cursou dois anos do ensino médio, o high school, em Washington. Voltou ao Brasil, mas logo retornou à América, desta vez para fazer faculdade de business na Universidade de Miami. Em 2023, com o diploma em mãos, o rapaz se mudou para São Paulo, onde foi trabalhar no mercado financeiro. 

Mas os planos de Luca passaram por uma guinada. Em 13 de junho, Dia de Santo Antônio — ou de santo Antonini, em bom italiano —, Ninny morreu, deixando uma lacuna enorme e incertezas sobre o futuro do restaurante, que tinha a cara dele. Cabia ao único filho a decisão de seguir ou não com as portas abertas.

Luca decidiu não só manter o legado de Ninny como também trilhar seu próprio caminho na gastronomia. "O meu pai queria que o restaurante seguisse aberto", garante o rapaz. "Temos funcionários que trabalham aqui há mais de 20 anos, que estão aqui praticamente desde a inauguração. Precisava manter esse legado." 

Em novembro de 2016, neste mesmo espaço, eu contei um pouco da trajetória de Ninny na gastronomia, e um dos pontos que ele fez questão de ressaltar foi justamente como ensinou a equipe, especialmente o cozinheiro, Baiano, a reproduzir suas receitas. "Hoje, eles têm total autonomia na cozinha. Posso até voltar à Itália e deixá-los à frente do restaurante", disse Ninny à época. Baiano continua à frente das panelas, uma garantia da manutenção do padrão de qualidade.

Raízes italianas

Luca com o pai, Ninny, ainda criança, no restaurante
Luca, ainda criança, com o pai, Ninny, no restaurante (foto: Arquivo pessoal)

O filho também é um aprendiz de Ninny. Seja na cozinha do restaurante, seja na de casa, Luca deu os primeiros passos na gastronomia, apesar de nunca ter imaginado que, um dia, seria sua profissão. Aprendeu, inclusive, a preparar os risotos que incluirá no cardápio a partir de janeiro do próximo ano. "Vamos fazer uma reforma e reabriremos no fim de janeiro. Mas não mudaremos a identidade do restaurante", garante Luca. Além de acrescentar risotos ao cardápio, hoje composto por mais de 30 massas,  ele pretende retirar os pratos que não saem com frequência e criar um menu executivo, servido de segunda a sexta com preços mais acessíveis. 

O que não falta a Luca é repertório na gastronomia italiana para fazer as mudanças pontuais de que o restaurante precisa. Toda a família paterna dele vive na Itália, assim como grande parte dos parentes do lado materno, e a maioria é formada por excelentes cozinheiros. Ao menos uma vez ao ano, o rapaz visita o país dos ancestrais.

O pai, siciliano, nascido em Palermo, chegou ao Brasil na década de 1990 atrás "de um grande amor", como contou na entrevista que me deu em 2016, e aqui fincou raízes. Falava com paixão da culinária italiana e, na ocasião, levou-me à cozinha para preparar um dos seus pratos preferidos, o Conchiglione ao forno, cuja receita eu resgato a seguir. Aliás, o restaurante era uma extensão da casa de Ninny, onde ele fazia questão de circular entre as mesas, pegando o feedback dos clientes e sugerindo a massa certa para o molho escolhido. 

Muitas dessas pessoas viram Luca crescer. "Temos clientes que vinham aqui ainda jovens e hoje trazem os netos, já fomos palco de pedidos de casamento. Os clientes são como uma grande família", orgulha-se. E é justamente esse legado que o jovem quer perpetuar. "É o nome do meu pai. Vou cuidar com todo carinho e dedicação que ele merece."

Conchiglione ao forno

Ingredientes

1 pacote de conchiglione

2 latas de 400g de tomate pelati

1 cebola grande

2 dentes de alho

Manjericão

Queijo parmesão

Sal a gosto

Modo de fazer

Deixe os conchigliones por uns 5 minutos em água fervente (cuidado para não os quebrar). Em seguida, ainda um pouco duros, tire-os com a peneira e coloque-os em água fria para interromper o cozimento. Deixe secar. Não jogue fora a água em que a massa foi cozinhada.

Bata a cebola no liquidificador e jogue fora o excesso de água para tirar a acidez. Em uma panela, coloque o azeite, a cebola e o alho. Amasse-os com um garfo e, ao término do preparo, jogue fora. Ponha os tomates pelati, o manjericão e o queijo parmesão. Siga mexendo e use a água do cozimento para ir regando o molho. Se achar que está muito seco, pode pôr um pouco mais de água. O molho precisa ficar homogêneo. Ao final, acerte com um pouco de sal. Reserve.

Molho béchamel (branco)

Ingredientes

1 litro de leite

1 tablete de 200g de manteiga

Farinha de trigo

Queijo parmesão

Noz-moscada

Sal a gosto

Modo de fazer

Em uma panela, coloque a manteiga, o leite e vá peneirando a farinha de trigo. Acrescente um toque de noz-moscada, o parmesão e um pouco de sal. Vá mexendo em fogo baixo. Caso a panela fique muito quente, você pode até trocá-la para interromper o cozimento. Reserve.

Berinjela com ricota

Ingredientes

2 berinjelas

Ricota fresca

Cebolinha

Manjericão

Muçarela

Azeite

Sal

Modo de fazer

Corte as berinjelas em cubinhos e dê uma fervida com um pouco de sal. Para tirar a acidez, seque e esprema bem as berinjelas. Em seguida, frite-as no azeite. Acrescente a cebolinha, o manjericão e a muçarela ralada. Dissolva a ricota fresca em parte da água em que foi cozinhada a massa até formar uma pasta. Junte essa pasta à berinjela temperada. Reserve.

 A montagem

Unte um pirex com manteira, principalmente, nas bordas, e polvilhe com farinha de rosca. Em seguida, cubra a base com parte do molho béchamel. Ele formará uma espécie de argamassa para sustentar os conchigliones. Com uma colher pequena, preencha os conchigliones com a berinjela misturada à pasta de ricota. Use os dedos para facilitar. Em seguida, disponha no pirex, lado a lado. Por cima, ponha o molho de tomate em abundância. E, para finalizar, cubra a massa com a pasta de ricota. Caso ela esteja muito seca, leve ao fogo para dissolver. Leve a massa ao forno preaquecido a 200ºC por aproximadamente 20 minutos. Sirva.

Dica: Os molhos de tomate e branco são básicos e podem ser usado como base para qualquer massa. Ninny prefere não usar pimenta ou açúcar no preparo.

  •  09/11/2016. Crédito: Antonio Cunha/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF. Encontro com o chef. Conchiglione ao molho de tomate, do Restaurante Ninny.
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    09/11/2016. Crédito: Antonio Cunha/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF. Encontro com o chef. Conchiglione ao molho de tomate, do Restaurante Ninny. Caption Foto: Antonio Cunha/CB
  • Luca, ainda criança,  com o pai, Ninny, no restaurante
    Luca, ainda criança, com o pai, Ninny, no restaurante Foto: Arquivo pessoal
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postado em 07/12/2025 06:00
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