
Longe de ser vista apenas como uma atividade relaxante para a pessoa idosa, a hidroginástica tem conquistado adeptos de todas as idades nas piscinas do país. Combinando a resistência natural da água com exercícios de alta intensidade e impacto zero nas articulações, a modalidade se consolidou como uma das ferramentas mais eficazes para quem busca queimar calorias, tonificar os músculos e proteger a saúde cardiovascular sem sobrecarregar o corpo.
O educador físico Renato Borges desmistifica o ideia comum de a aula ser somente voltada a idosos. "A hidroginástica pode ser praticada por qualquer nível de condicionamento físico, do sedentário ao atleta." A quantidade de pessoas mais velhas praticantes se dá pelo fato de ser uma atividade com baixo impacto às articulações.
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O choque diminuído e a falta de percepção de suor durante a prática não significam que não há gasto calórico. Eliz Vessoni, educadora física e personal trainer, explica como acontecem a intensidade do movimento e amplitude embaixo da água. "A resistência da água é muito maior que a do ar, e aumentar a velocidade de execução ou a amplitude dos movimentos eleva significativamente a intensidade do exercício. Estudos mostram que quando a linha d'água está na altura do quadril (mais profunda), a frequência cardíaca e o consumo de oxigênio são significativamente maiores do que quando está na altura do peito; a intensidade da hidroginástica pode atingir o nível de exercício moderado a vigoroso."
Além disso, o uso de acessórios permite que diferentes grupos musculares sejam exercitados. "Noodles, halteres e outros equipamentos aumentam a flutuabilidade ou a resistência frontal, forçando os músculos a gerarem mais força para estabilizar ou superar a resistência. Já tornozeleiras e luvas aumentam a área de contato com a água, elevando a dificuldade dos movimentos de membros", detalha Eliz.
Terezinha Gomes, aposentada de 75 anos, sentia muitas dores na coluna. Há 15 anos, foi recomendado a ela a prática da hidroginástica e, mesmo depois de todo esse tempo, ela segue firme nos exercícios. "Depois que comecei a fazer essa atividade, vi que o equilíbrio e a força que eu tinha perdido voltaram. As dores também passaram, graças à movimentação."
Ela afirma que sua rotina é puxada nos exercícios, mas que isso a faz muito feliz. "Faço hidro duas vezes na semana e complemento com pilates, uma vez por semana. Fico muito feliz por estar assim bem e disposta para levantar e seguir minha vida."
A percepção de melhora de Terezinha se dá muito pela constância da prática. "Ganhos a médio e longo prazos concentram-se na função cardiorrespiratória e na força/resistência muscular. A prática regular de hidroginástica pode melhorar a capacidade aeróbica, reduzir a frequência cardíaca em repouso e a pressão arterial", afirma Eliz.
Ademais, treinamentos de 10 a 12 semanas podem aumentar significativamente a força muscular de membros inferiores — como a extensão de joelho e flexão plantar — e a resistência muscular localizada, com menor sobrecarga articular em comparação com exercícios em terra.
Bem-estar e cuidados
Os benefícios, no entanto, vão além do corpo. A atividade ajuda na socialização. Fabíola Salvador, comunicadora de 51 anos, explica como se sente sendo uma das mais novas da aula. "Frequento com meu marido e gosto muito de poder conversar com pessoas diferentes. Fiz muitas amigas dentro da água e vou assiduamente com elas. Fazemos exercícios e jogamos conversa fora."
Apesar de ser uma modalidade extremamente democrática e segura, a hidroginástica exige alguns cuidados antes de pular na piscina. Pessoas com feridas abertas, lesões cutâneas não cicatrizadas, micoses ou infecções ativas de ouvido e trato urinário devem adiar a prática até a recuperação total para evitar contaminações. Além disso, quadros de hipertensão descompensada, epilepsia não controlada e incontinência urinária grave requerem avaliação prévia. Nesses casos, o acompanhamento e a liberação médica são indispensáveis para garantir que o exercício traga apenas benefícios à saúde.
Além do acompanhamento médico, Eliz aconselha as pessoas que querem iniciar na prática, mas possuem receios: "A hidroginástica geralmente é realizada em piscina rasa, com os pés tocando o fundo. Para alunos iniciantes com medo da água, a estratégia central é a adaptação gradual. Primeiro, estabelecer confiança é extremamente necessário para que não haja nenhum desconforto do aluno; depois, praticar controle respiratório e flutuação, respeitando o ritmo individual, sem forçar a imersão do rosto."
Outro ponto é a ingestão de água. Renato finaliza com um lembrete: "Na prática da hidroginástica, é recomendado a observação sobre a hidratação, como se estivesse numa atividade fora da água. Isso é importante porque, por estar na água, não percebemos essa perda de líquidos que acontece na atividade".
Seja para reabilitar lesões, queimar calorias em um treino de alta intensidade ou simplesmente criar uma rotina mais ativa e sociável, a hidroginástica prova que água e esforço físico combinam em qualquer fase da vida. Superando velhos estigmas, a piscina se firma como um espaço democrático onde a saúde do corpo e da mente caminham juntas — movimento a movimento.
*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte
Revista do Correio
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