A vacinação com a vacina contra a dengue do Instituto Butantan foi suspensa pela Anvisa, levantando dúvidas sobre os próximos passos para quem já recebeu o imunizante. A interrupção é uma medida de precaução após a notificação de 42 eventos adversos graves, incluindo duas mortes que estão sob investigação. É importante esclarecer que a suspensão ocorre durante a fase de farmacovigilância (monitoramento pós-aprovação), e não durante os testes clínicos, que já haviam sido concluídos.
Aprovada em novembro de 2025, a vacina começou a ser aplicada em janeiro de 2026 como parte de uma campanha de vacinação do SUS direcionada a profissionais de saúde. Cerca de 500 mil doses foram administradas em três cidades: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG).
O que acontece com as pessoas vacinadas agora?
Com a interrupção da campanha, o Ministério da Saúde e as secretarias de saúde locais devem manter o monitoramento de todas as pessoas vacinadas e oferecer suporte para qualquer intercorrência. Quem recebeu a vacina deve ficar atento a sintomas e procurar atendimento médico se necessário. A suspensão serve para que um comitê de especialistas independentes analise detalhadamente os casos e determine se há relação causal com o imunizante.
É importante destacar que pausas como esta são parte do rigoroso processo de vigilância sanitária. Eventos adversos raros podem se manifestar apenas quando um produto é usado em larga escala, e a suspensão demonstra que os sistemas de monitoramento estão funcionando para garantir a segurança da população.
Diferença para outras vacinas
A situação ocorre em meio a um aumento nos casos de dengue no Brasil. Atualmente, a vacina Qdenga, produzida pelo laboratório japonês Takeda, continua disponível no SUS e na rede privada. A principal diferença entre elas é o esquema vacinal: a Qdenga exige duas doses, enquanto a fórmula do Butantan foi projetada para ser de dose única.
A conclusão da análise dos eventos adversos será fundamental para o futuro da vacina do Butantan. Apenas após o parecer do comitê e a liberação da Anvisa, a campanha de vacinação poderá ser retomada.









