O ouro de Flávia Saraiva e a prata de Rebeca Andrade na trave, durante a etapa da Copa do Mundo de Ginástica Artística realizada em setembro de 2026, na Hungria, colocaram o Brasil novamente em destaque no esporte. O evento marcou um retorno importante de Rebeca às competições após os Jogos de Paris 2024. Por trás das medalhas, existe um sistema de pontuação complexo que define as campeãs com base em critérios técnicos rigorosos. Entender como as notas são formadas ajuda a acompanhar cada detalhe das apresentações.
A nota final de uma ginasta é a soma de duas avaliações distintas: a nota de dificuldade (Nota D) e a nota de execução (Nota E), das quais ainda podem ser subtraídas penalidades. Cada uma desempenha um papel fundamental no resultado e exige estratégias diferentes das atletas e de suas equipes técnicas.
A Nota de Dificuldade (Nota D)
Esta nota representa o valor total dos elementos apresentados na série. Antes da competição, cada movimento, salto ou acrobacia já possui um valor pré-definido no código de pontuação da Federação Internacional de Ginástica. Quanto mais complexo e arriscado o elemento, maior seu valor.
A Nota D, portanto, não tem um limite fixo. Ela é a soma dos oito elementos de maior valor em uma rotina (para as mulheres), além de bonificações por ligações difíceis entre movimentos. A estratégia é montar uma série com alta pontuação de partida, mas que a ginasta consiga executar com segurança.
A Nota de Execução (Nota E)
Aqui, a perfeição é o ponto de partida. A Nota E começa sempre em 10,0 pontos e os árbitros subtraem décimos para cada erro percebido. O objetivo da atleta é realizar a série da forma mais limpa e precisa possível, minimizando os descontos.
As deduções são aplicadas por falhas como pernas separadas ou dobradas quando deveriam estar juntas e esticadas, desequilíbrios, passos extras na aterrissagem ou falta de altura nos saltos. Uma queda, por exemplo, representa a maior dedução individual: um ponto inteiro a menos na nota de execução.
Como a nota final é calculada?
A fórmula é simples: Nota Final = Nota D + Nota E – Penalidades. As penalidades são descontos aplicados por infrações que não estão diretamente ligadas à execução dos elementos, como sair da área delimitada do solo ou ultrapassar o tempo permitido para a apresentação em alguns aparelhos.
Esse sistema explica por que uma ginasta com uma série mais simples, porém executada com perfeição, pode superar outra que arriscou movimentos muito difíceis e cometeu erros. O equilíbrio entre dificuldade e execução é o que leva ao pódio, como demonstrado pelas brasileiras na Hungria, com Flávia alcançando 13.766 pontos e Rebeca, 13.600 pontos.








