MINAS GERAIS

O que se sabe sobre o assassinato de Vanessa Lara na grande BH

Moradora de Pará de Minas, a vítima saiu para trabalhar na segunda-feira (9/2), e desapareceu. No dia seguinte, foi encontrada morta em um pista de caminhada em Juatuba, na região metropolitana da capital mineira

Dada como desaparecida na última segunda-feira (9/2), a estudante de psicologia Vanessa Lara, de 23 anos, foi encontrada morta no dia seguinte. Moradora do município de Pará de Minas, na região metropolitana de Belo Horizonte, Vanessa foi achada em uma pista de caminhada em Juatuba, cidade a cerca de 35km de distância de onde morava, com sinais de violência. Um drone foi usado no processo de identificação do corpo. 

Na segunda-feira, a família da vítima foi à Polícia Militar para informar sobre o seu desaparecimento, segundo informações do Estado de Minas. A mãe de Vanessa informou que a filha esteve no Sistema Nacional de Emprego (Sine) de Juatuba, por volta das 12h, onde era funcionária de uma empresa terceirizada que promovia um processo seletivo. Depois disso, não voltou mais para casa. A família informou que a estudante trabalhava por lá para custear a faculdade. 

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Suspeito de cometer o crime é identificado pela Polícia Militar

Parentes do homem identificado pela PM como suspeito de matar Vanessa informaram à corporação que o indivíduo está foragido em Belo Horizonte. Ao Correio, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou que o homem é Ítalo Jeferson da Silva, de 43 anos. O tribunal afirmou que um mandado de prisão foi expedido nesta quarta-feira (11/2). 

Ainda conforme a nota (leia-a na íntegra, ao final da matéria), Ítalo cumpria pena em regime fechado, na cidade de Patrocínio (MG), por tráfico, furto, roubo e estupro. Em dezembro de 2025, teve a pena convertida para regime semiaberto domiciliar, além de determinar a expedição do alvará de soltura. Por ter enviado ao Tribunal um endereço residencial em Juatuba, Ítalo passou a cumprir a pena por lá. Em razão do novo crime, teve expedido um novo mandado de prisão.  

De acordo com informações do G1, o suspeito entrou em contato com a família por telefone. Durante a conversa, confessou o crime e afirmou estar no centro da capital. Os familiares também informaram que ele chegou em casa sujo de barro, com arranhões e marcas de sangue. Em seguida, ele teria pedido dinheiro à mãe para chegar a BH, e saído de casa depois de tomar banho. O suspeito disse que passaria a viver nas ruas. 

https://www.correiobraziliense.com.br/webstories/2025/04/7121170-canal-do-correio-braziliense-no-whatsapp.html

Investigação

Imagens registradas por uma câmera de segurança do local mostram a jovem circulando pelas ruas por volta das 14h de segunda-feira, momentos antes de desaparecer. Naquele mesmo dia, ela voltaria ao município onde morava. 

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou ao Correio que instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias que levaram ao assassinato de Vanessa Lara. A corporação afirmou que, assim que acionada, deslocou a perícia oficial à cena do crime. Lá, foi realizada a coleta de vestígios e informações, além de ter apreendido um notebook um celular e uma mochila com roupas. O corpo da vítima foi encaminhado ao Posto Médico-Legal (veja abaixo a nota completa na íntegra). 

O velório de Vanessa aconteceu nesta quarta-feira (11/2), no Cemitério Parque da Serra, em Pará de Minas. O corpo foi sepultado no distrito de Antunes, em Igaratinga, na Região Centro-Oeste do estado.  

Outra vítima do suspeito e irmão da estudante se manifestam 

A identificação do suspeito de matar Vanessa Lara também contou com relato de outra mulher. Vítima de uma tentativa de abuso sexual em 2024, ao lado de uma academia em Juatuba, Isabela Martins conta ter sido agredida pelo mesmo homem. Por meio de uma postagem nas redes sociais, lamentou o fato de o suspeito ainda estar foragido, ainda que possua passagem pela polícia por outros crimes.  

"Há dois anos, eu sofri uma tentativa de estupro ao lado de uma academia. O que dói no coração de alguém que tentou ser violentada é ver a pessoa que tentou te violentar solta", escreveu. "Hoje, uma menina em Juatuba faleceu nas mãos da pessoa que tentou me violentar. Nas mãos de um homem que deveria estar preso, nas mãos de um homem que, há dois anos, tentou me estuprar. Ele estava na rua havia 15 dias e fez isso. Isso dói. Dói saber que o que ele fez comigo, ele fez com outra e fez pior", completou.

Irmão de Vanessa Lara, Rafael também foi às redes para se manifestar. De acordo com ele, um vídeo registrado por câmeras de segurança, mostra omissão de populares durante o crime. Durante a gravação, dois homens passam perto do local e olham para trás, como se suspeitassem de algo. Um deles chega, inclusive, a fazer o sinal da cruz. No entanto, ambos continuam a caminhada. 

Confira a nota completa da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG): 

"A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) instaurou Inquérito Policial para apurar as circunstâncias, motivação e a autoria do homicídio praticado contra uma jovem, de 23 anos, em Juatuba.

Assim que acionada, a PCMG deslocou a perícia oficial à cena do crime, onde foi realizada a coleta de vestígios e informações para subsidiar a investigação. Na ocasião, foram apreendidos um notebook, um celular e uma mochila com roupas. Em seguida, o corpo da vítima foi encaminhado ao Posto Médico-Legal, em Betim, para ser submetido a exames e, logo após, liberado aos familiares.

Até o momento, não houve conduzido à delegacia e, um homem, de 43 anos, é investigado como possível suspeito.

A PCMG, por meio da Delegacia de Polícia Civil de Juatuba, prossegue com as diligências necessárias à elucidação do caso."

Veja a nota completa do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG): 

"Conforme informações da comarca de Juatuba, o sentenciado Ítalo Jefferson cumpria pena em regime fechado, na Comarca de Patrocínio, pela prática dos delitos de tráfico, furto, roubo e estupro.

Em setembro de 2025, ao julgar o HABEAS CORPUS Nº 1022564 - MG (2025/0281100-3), o STJ desclassificou o crime de tráfico para o uso de drogas (art. 28 da Lei n. 11.343/06), o que resultou na extinção da pena anteriormente aplicada, de 8 anos de reclusão.

Por conseguinte, em dezembro de 2025, o Juízo da Comarca de Patrocínio recalculou a pena e deferiu a progressão de regime para o semiaberto domiciliar, determinando a expedição do alvará de soltura, que foi cumprido em 20/12/2025.

Em janeiro, o processo foi encaminhado para a Comarca de Juatuba, por ter o sentenciado indicado endereço residencial nesta Comarca.

Nesta data, a PMMG comunicou nos autos a prática do novo crime, razão pela qual o juízo da Comarca de Juatuba determinou a regressão cautelar do sentenciado para o regime fechado e a expedição de mandado de prisão."

 

 

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