
A Latam confirmou nesta quarta-feira (11/2) a demissão do piloto Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, preso temporariamente na segunda-feira (9/2) sob suspeita de chefiar uma rede de abuso sexual infantil. A decisão foi comunicada após a divulgação das investigações que envolvem o ex-funcionário.
Em nota, a companhia aérea declarou que Sérgio “não faz mais parte do seu quadro de colaboradores. A companhia adota a política de tolerância zero para ações e atos que desrespeitem os seus valores, ética e código de conduta, permanecendo à disposição das autoridades para colaborar com as investigações”.
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A prisão ocorreu na manhã de segunda, dentro de um avião no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, a investigação durou cerca de três meses e aponta que o piloto levava crianças e adolescentes a motéis usando documentos de identidade falsos, onde cometia os abusos.
Sérgio também recebia imagens das vítimas enviadas por mães, avós ou outros responsáveis por meio do WhatsApp, em troca de pagamentos. “Cada imagem recebida gerava pagamentos via Pix, geralmente de R$ 30, R$ 50 ou R$ 100. Em alguns casos, ele comprava medicamentos, pagava aluguel e houve até a compra de uma televisão”, disse a delegada Ivalda Aleixo, chefe do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), à TV Globo.
Além do piloto, a avó de três vítimas foi presa temporariamente. A mãe de outra criança foi detida em flagrante por armazenamento e compartilhamento de material de exploração sexual infantil.
Segundo Ivalda, a prisão no aeroporto foi estratégica, diante da dificuldade de encontrá-lo em casa. “Ele tem uma residência em Guararema. Não conseguíamos saber quando ele estava voando ou não. Optamos por pedir a escala para a empresa e identificamos que ele faria um voo hoje. Quando chegamos no aeroporto por volta das 5h30, ele já estava lá. Quando começaram a fazer a chamada do voo, nós fomos perguntar e ele já estava no avião. Era uma forma de tentar localizá-lo”, contou à TV Globo.
As investigações indicam que o piloto se aproximava inicialmente das mães, avós ou responsáveis legais e, em seguida, deixava claro que o interesse era na criança ou adolescente, apresentando uma proposta.
Até o momento, a Polícia Civil identificou dez vítimas no estado de São Paulo, mas acredita que o número pode ser maior. O celular apreendido com o suspeito contém imagens que apontam para possíveis vítimas em outros estados. A polícia também investiga a quem o material era destinado. “Além do consumo pessoal, há fortes indícios de que ele distribuía esse conteúdo para outras pessoas”, afirmou Ivalda.

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