Saúde

Brasil adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV

Transferência de tecnologia foi concluída após cinco anos e permitirá que o mais importante antirretroviral utilizado no país seja fabricado integralmente no país para abastecer o SUS

O medicamento dolutegravir foi desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa de pesquisa para prevenção e tratamento para HIV pertencente à biofarmacêutica GSK -  (crédito: Agência de Notícias da Aids/ Divulgação)
O medicamento dolutegravir foi desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa de pesquisa para prevenção e tratamento para HIV pertencente à biofarmacêutica GSK - (crédito: Agência de Notícias da Aids/ Divulgação)

A fabricação do principal medicamento utilizado no tratamento do HIV no Brasil passará a ser feita integralmente no país. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu o processo de transferência de tecnologia para produzir o antirretroviral dolutegravir, utilizado diariamente por mais de 770 mil brasileiros e distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Três lotes já foram fabricados e aprovados nos testes de qualidade. Agora, a entrega depende apenas da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "A conclusão dessa etapa fortalece a produção nacional e amplia a segurança no fornecimento do medicamento à população", informou a Fiocruz.

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O processo teve início em 2020, quando a ViiV Healthcare, empresa responsável pelo desenvolvimento do medicamento e pertencente à biofarmacêutica GSK, assinou um acordo com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), unidade da Fiocruz. Desde então, foram realizados investimentos para adequar a fábrica, adquirir equipamentos, qualificar profissionais e estruturar todas as etapas necessárias para a fabricação do remédio no Brasil.

Desde 2022, Farmanguinhos já distribuía ao SUS comprimidos produzidos pela GSK e, em 2025, também assumiu o controle laboratorial da qualidade. Ao longo desse período, mais de 739 milhões de unidades foram entregues à rede pública.

O dolutegravir é considerado um dos medicamentos mais utilizados no combate ao HIV no mundo. Ele impede a multiplicação do vírus ao bloquear a enzima integrase, reduzindo a carga viral a níveis indetectáveis quando utilizado corretamente. Com isso, preserva o sistema imunológico, evita a evolução da infecção por Aids e melhora a qualidade de vida das pessoas em tratamento. 

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o medicamento como primeira escolha para adultos, crianças, gestantes e pessoas com potencial para engravidar, devido à eficácia e ao perfil de segurança.

Qualidade de vida

O HIV é um vírus que compromete as células de defesa do organismo e pode permanecer sem sintomas por anos. Sem tratamento, a infecção pode evoluir para a Aids, estágio em que o sistema imunológico fica fragilizado e o risco de doenças oportunistas aumenta. No Brasil, o acesso gratuito aos antirretrovirais pelo SUS é uma das principais estratégias de enfrentamento da doença.

O tratamento contínuo permite que pessoas vivendo com HIV tenham expectativa e qualidade de vida semelhantes às da população em geral, além de impedir a transmissão do vírus quando a carga viral permanece indetectável.

Além da produção do dolutegravir, a parceria entre Fiocruz e ViiV Healthcare prevê uma nova etapa de nacionalização: a fabricação da combinação entre dolutegravir e lamivudina, outro medicamento utilizado no tratamento da infecção pelo HIV e também oferecido gratuitamente pelo SUS.

A expectativa é que essa produção tenha início no próximo ano. 

*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

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postado em 15/07/2026 14:02 / atualizado em 15/07/2026 14:38
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