
Por Paulo MacCulloch*
Entre janeiro e junho de 2026, o Brasil registrou seis pessoas assassinadas no campo, uma queda significativa em relação aos 27 registrados no mesmo período do ano passado. Porém, segundo levantamento realizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), divulgado nesta quarta-feira (2), os casos de conflitos no campo subiram de 798 para 841, em comparação com o ano anterior.
As regiões norte e nordeste concentram os cinco estados com o maior número de conflitos no campo. Liderados pelo Maranhão, com 156 casos, e seguidos pelo Pará (90), Bahia (85), Rondônia (63) e Amazonas (63).
O documento separou os conflitos em três categorias: conflitos por terra (711), conflitos por água (100) e ocorrências de trabalho escravo rural (30).
Conflitos por terra
Os conflitos por terra incluem casos de violência e resistência envolvendo ocupações e acampamentos. As resistências caíram de 66 casos para 48, enquanto as violência aumentaram de 584 para 663.
A contaminação por agrotóxicos foi a principal forma de violência por terra, com 169 casos. A invasão aos territórios também aumentou, subindo de 96 registros para 109, assim como o desmatamento ilegal, de 67 para 107 e ameça de despejo, de 63 para 70 casos.
O relatório do CPT atribuiu o aumento dessas violências à expansão do agronegócio na região.
Conflitos pela água
Os conflitos pela água tiveram o aumento de 112,77% em relação ao mesmo período do ano passado, subindo de 47 para 100 registros. Os casos foram constatados em 20 estados, com o Pará registrando o maior números de ocorrências (16), seguido por Minas Gerais (11), Amazonas (10) e Mato Grosso (10).
Segundo o CPT, a luta dos povos indígenas e ribeirinhos contra a privatização dos rios, contra o garimpo e contra a atuação de mineradoras, nos primeiros meses deste ano, colocou o estado do Pará na liderança do registro desses conflitos.
Trabalho escravo
O número de ocorrências de trabalho escravo rural caiu cerca de 70%, passando de 101 para 30 casos no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Já o número de trabalhadores vítimas desse crime, diminuiu de 842 para 355.
Com cinco dos casos registrados e 148 trabalhadores resgatados, São Paulo foi o estado com mais ocorrências. Em três desses cinco casos, os trabalhadores foram resgatados em atividades de plantio e corte de cana-de-açúcar.
Violências contra pessoas
Entre os seis assassinatos registrados entre janeiro e junho de 2026, estão trabalhadores rurais, indígenas e um adolescente de 14 anos. Os casos aconteceram nos estados de Roraima, Mato Grosso do Sul e Amazonas.
Os números de casos e vítimas de violência aumentou de 418 para 588 e de 308 para 497, respetivamente.
A violência mais presente no primeiro semestre do Brasil foi a contaminação por minérios, com 195 casos, todos no estado do Pará e decorrentes do garimpo ilegal na Bacia do Rio Tapajós, onde atingiram a Terra Indígena Munduruku.
Outras formas de violência que registraram aumento foram a contaminação por agrotóxicos, que subiu de 10 para 132 casos, a criminalização, de 46 para 51, e ferimentos, de 26 para 42.
De acordo com o levantamento, as principais vítimas dessas violências foram os povos indígenas, trabalhadores e trabalhadoras sem-terra, posseiros, seringueiros e quilombolas.
Estagiário sob supervisão de Paulo Floro.
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