ATOS ANTIDEMOCRÁTICOS

Torres desligou celular "na cara" de Ibaneis após ser comunicado de demissão

O ex-ministro de Bolsonaro não reagiu bem à notícia, comunicada por ligação, de que ele estaria exonerado do cargo. Desde a demissão, Ibaneis e Torres não se conversaram mais

Pablo Giovanni*
postado em 13/01/2023 17:29 / atualizado em 13/01/2023 18:09
Torres teria reagido mal a demissão e ficou
Torres teria reagido mal a demissão e ficou "aborrecido" com Ibaneis. - (crédito: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília)

O ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) Anderson Torres desligou o telefone na cara do governador afastado, Ibaneis Rocha (MDB), após ter sido comunicado pelo chefe do Executivo local que seria demitido durante os atos terroristas. O ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL) não recebeu muito bem a notícia.

A reportagem apurou que Ibaneis estava em casa, em Brasília, quando ligou para Torres via WhatsApp. Ibaneis cobrou ações contra os atos terroristas ao ex-secretário da SSP-DF. O secretário respondeu que estava nos Estados Unidos. Na mesma ligação, o governador — que não sabia que Anderson teria viajado antes das férias — comunicou que estava demitindo o ex-secretário do cargo. O emebedista e o ex-ministro de Bolsonaro tiveram uma rápida discussão, quando Torres desligou o telefone na cara do governador.

O Correio apurou que Torres, quando soube dos atos terroristas na Praça dos Três Poderes, iniciou preparação para deixar Orlando, nos Estados Unidos, e retornar ao Brasil. No entanto, com a demissão, o delegado da Polícia Federal reagiu mal e ficou “aborrecido” com o chefe do Executivo local. Desde então, nenhum dos dois se falaram.

As férias de Torres estavam marcadas para iniciar em 9 de janeiro, segundo o interventor Ricardo Cappelli. A defesa de Ibaneis argumentou, em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e que o Correio teve acesso, uma reportagem em que Cappelli afirma que os atos de domingo só foram possíveis porque houve uma “operação de sabotagem” do esquema de segurança do DF. O documento não faz menção direta ao ex-secretário, mas Cappelli em suas declarações cita participação de Anderson Torres.

Pessoas próximas ao emebedista dizem que, além do Torres, o ex-secretário executivo Fernando Souza Oliveira são os grandes responsáveis pelo afastamento de Ibaneis por 90 dias. Em troca de mensagens com Oliveira, o braço direito do ex-ministro de Bolsonaro cita em áudio, às 13h23, que a manifestação está totalmente pacífica na Esplanada dos Ministérios. Quando tomou a real situação, Ibaneis mandou duas mensagens ao secretário-executivo: “Coloca tudo na rua” e “tira esses vagabundos do congresso e prenda o máximo possível”. Oliveira foi exonerado na terça-feira (10/1) por Cappelli.

*Estagiário sob a supervisão de José Carlos Vieira

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