Prisão

Agressor de adolescente em coma, Pedro Arthur Turra é levado para a Papuda

Investigado por espancar jovem de 16 anos, Pedro Turra foi levado, ontem, para o Centro de Detenção Provisória. Prisão preventiva foi decretada devido a indícios de tentativa de obstrução da Justiça. Defesa reclama de "pena antecipada"

Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, investigado por espancar um adolescente de 16 anos em Vicente Pires, foi transferido, nessa segunda-feira (2/2), para o Complexo Penitenciário da Papuda. A agressão que levou à prisão do jovem ocorreu em 23 de janeiro, e teria sido motivada por um desentendimento em razão de um chiclete. A defesa do indiciado solicitou que ele seja mantido em cela individual, conforme determinado em audiência de custódia realizada no sábado, após relatos de ameaças contra a integridade do preso, que teriam sido feitas por agentes de custódia e por outros detentos.

"Protocolamos o pedido hoje (ontem), mas ainda não temos resposta", informou o advogado Daniel Kaefer, que integra a defesa de Pedro Turra. A Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) disse que não pode detalhar informações sobre custodiados por motivos legais. 

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No domingo (1/2), a Justiça negou o pedido de revogação da prisão feito pela defesa do indiciado. Segundo uma fonte ligada ao caso, que preferiu não se identificar, ao decidir pela manutenção da prisão preventiva, o juiz destacou que há indícios de que Pedro Turra seria "contumaz na prática de agressões físicas" e que teria atuado para interferir no andamento das investigações. Na decisão, o magistrado apontou a existência de "conversas em redes sociais com o objetivo de combinar versões", o que, segundo ele, demonstra tentativa de obstrução da apuração dos fatos.

Para o juiz, a conduta do investigado "desafia a paz social e dificulta a busca da verdade real", além de revelar "desprezo pelo ordenamento jurídico e pelo convívio social harmônico", fundamentos que, na avaliação do Judiciário, justificam a manutenção da custódia cautelar. O processo está sob segredo de Justiça.

Inicialmente, o jovem foi preso em flagrante após o crime, mas acabou liberado no dia seguinte, após audiência de custódia realizada em 24 de janeiro, quando o juiz arbitrou fiança de R$ 24,3 mil, paga pela família. Porém, a PCDF identificou indícios de interferência do suspeito nas investigações. Conversas extraídas de redes sociais apontaram para uma possível combinação de versões entre pessoas envolvidas no caso, o que levou a polícia a solicitar a prisão preventiva.

O pedido foi reforçado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e acatado pela Justiça na última sexta-feira. O investigado foi preso no mesmo dia, na casa da mãe, em Águas Claras, sem oferecer resistência. No local, foram apreendidos um soco inglês e uma faca. Após a prisão, Pedro Turra foi levado, inicialmente, para a 38ª DP e, em seguida, encaminhado à carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE), no Parque da Cidade.

No sábado, durante cerca de 30 minutos, no Núcleo de Audiência de Custódia (NAC), no Complexo da Polícia Civil, o indiciado relatou à juíza ter sido ameaçado por agentes de custódia e por outros detentos. A magistrada determinou, de forma provisória, que ele fosse mantido em cela individual até a transferência ao Centro de Detenção Provisória (CDP), no Complexo Penitenciário da Papuda, além da abertura de sindicância para apurar as denúncias.

O ataque de Pedro Turra deixou a vítima em estado gravíssimo e internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Brasília Águas Claras, em coma, sem previsão de alta. Os profissionais avaliam a necessidade de realização de uma traqueostomia.

Na noite de sexta-feira (30/1), familiares e amigos se reuniram em frente à unidade hospitalar para um momento de oração pela recuperação do adolescente agredido por Pedro. O ato religioso reuniu mais de 200 pessoas, que formaram uma roda em frente ao hospital, em um clima marcado por comoção, união e expectativa por uma evolução no quadro clínico.

Paulo Gontijo/CB/D.A Press - Pedro Turra teve a prisão preventiva decretada na sexta-feira

Histórico violento

Além da agressão em Vicente Pires, Pedro Turra é investigado por outros três casos de agressão e coerção. A ocorrência mais recente foi registrada na 38ª DP e relata a agressão a um homem de 50 anos, após uma discussão relacionada a um acidente de trânsito. O caso foi encaminhado à 21ª DP, em Taguatinga Sul.

Outra investigação apura uma denúncia feita por uma jovem que tinha 17 anos à época dos fatos. Ela afirma ter sido coagida por Pedro a ingerir vodca durante uma festa no Jockey Club. O episódio, registrado em vídeo, deu origem a um inquérito específico, no qual a adolescente relata ter sido torturada para consumir a bebida.

Um terceiro boletim de ocorrência, de 28 de junho de 2025, descreve uma agressão em uma praça pública de Águas Claras. A vítima relatou ter sido atacada por Pedro Turra com socos e um golpe de mata-leão, enquanto outros quatro rapazes assistiam à cena.

Defesa

O advogado Daniel Kaefer, que integra a defesa do indiciado, afirmou que o jovem está sendo submetido a uma "pena antecipada", antes mesmo da conclusão das investigações. Segundo ele, o caso está em fase de apuração policial e não há definição sobre a materialidade e a extensão das lesões. "Até este momento, o Pedro está sendo investigado por um fato classificado como lesão corporal de natureza grave. Nós sequer temos o laudo definitivo para aferir a amplitude disso, e esse tipo penal, inclusive, não prevê pena de reclusão", declarou.

Na avaliação do advogado, a manutenção da prisão preventiva não se sustenta do ponto de vista jurídico e estaria diretamente relacionada à repercussão do caso. "Ele está cumprindo uma pena antecipada, o que não acontece na maioria dos casos. Todos os dias vemos crimes gravíssimos acontecendo e não há esse mesmo rigor. Aqui, o que existe é um julgamento prévio, impulsionado pelo clamor público", afirmou Kaefer.

A defesa atua para tentar reverter a decisão judicial. "Nós vamos despachar diretamente com o juiz do caso e acreditamos que haverá de se fazer justiça. A prisão é medida extrema, e existem outras cautelares possíveis. O que a defesa busca é um tratamento isonômico, dentro do que a lei prevê", concluiu.

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