CB Debate

'Há formas de violência 'invisíveis', diz deputada Paula Belmonte

Parlamentar afirma que assédio moral e silenciamento também são formas de violência e defende educação e apoio entre mulheres como caminhos para transformar a realidade

Durante a abertura do C.B Debate O Brasil pelas mulheres: proteção a todo tempo, a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) defendeu que o enfrentamento à violência contra a mulher vá além dos casos que chegam às páginas policiais. De acordo com ela, é necessário incluir o combate ao assédio moral, ao silenciamento e às desigualdades estruturais a luta.

Ao destacar a importância da diversidade das mulheres e da criação de mais espaços de poder, a parlamentar afirmou que a violência física e o feminicídio são apenas a face mais visível de um problema mais amplo. Segundo ela, há formas de violência “invisíveis”, como o desrespeito em ambientes profissionais e políticos, quando mulheres são ignoradas ou desacreditadas.

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Paula Belmonte relatou que, como procuradora especial da Mulher na Câmara Legislativa do Distrito Federal, recebeu diversas denúncias de assédio moral feitas por servidoras públicas. Disse ainda que, ao formalizar denúncias, enfrentou resistência e chegou a ser alvo de um processo de cassação. “O silêncio dói”, afirmou, ao defender maior apoio entre mulheres e mais intencionalidade na promoção da igualdade.

A deputada sustentou que a mudança cultural precisa começar na infância, por meio da educação. Segundo ela, é necessário estimular meninas a sonharem e ocuparem espaços nas mais diversas áreas, como ciência, tecnologia e jornalismo, além de trabalhar com meninos a noção de autocontrole e responsabilidade. “Não adianta falar apenas de proteção ou de orçamento. A intencionalidade começa na educação”, declarou.

Paula Belmonte também destacou a atuação da Procuradoria Especial da Mulher em projetos voltados às escolas, com foco na conscientização sobre respeito, autorresponsabilidade e prevenção à violência.

“Na Procuradoria Especial da Mulher, estamos desenvolvendo um projeto já institucionalizado na Casa, chamado ‘Falando Delas para Eles’. Estamos levando esse projeto às escolas, porque precisamos falar com os meninos sobre respeito — e com as meninas também”, explicou.

Ao final, a parlamentar lembrou os 94 anos da conquista do voto feminino no Brasil, ressaltando a importância de preservar e ampliar os direitos das mulheres.

Leia também: Quando a violência contra as mulheres se naturaliza no mercado de trabalho

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Próximo do Dia Internacional das Mulheres, comemorado no dai 8 de março, o Correio promove, nesta quinta-feira (26/2), o CB.Debate "O Brasil pelas mulheres: proteção a todo tempo”. O evento está sendo transmitido ao vivo pelo canal do YouTube e, ao final de cada painel, o público on-line e presencial poderá fazer perguntas aos painelistas.

A iniciativa ganha relevância diante de um Brasil que, apenas no último ano, registrou 1.470 feminicídios. O encontro é aberto à participação do público, que poderá enviar perguntas presencialmente ou por meio do YouTube do Correio, contribuindo para a construção de caminhos efetivos de acolhimento e proteção às vítimas de violência no DF.

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