Cidadania

Exposição itinerante conta a história de Ceilândia

Projeto da Associação Andar a Pé em parceria com o Ministério Público funciona como sala de aula e centro cultural itinerante, levando informações sobre mobilidade urbana e meio ambiente a escolas públicas de Ceilândia

Alunos poderão visitar, dentro do ônibus, uma exposição com a história da região administrativa, em cartaz até 30 de março -  (crédito: Fotos: Manuela Sá/CB/D.A Press)
Alunos poderão visitar, dentro do ônibus, uma exposição com a história da região administrativa, em cartaz até 30 de março - (crédito: Fotos: Manuela Sá/CB/D.A Press)

Por Manuela Sá* — A Associação Andar a Pé, em parceria com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), iniciou, na última sexta-feira, o projeto Andanças — Passado, Presente e Futuro em Ceilândia. A ação, que fica ao menos até 30 de março, consiste em uma exposição itinerante que conta a história da região administrativa, além de levar material didático sobre mobilidade urbana e meio ambiente para escolas públicas da cidade. 

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Em edições passadas, a mostra passou por Planaltina, Gama e Taguatinga. No entanto, o grupo responsável pelo projeto notou que, como ela ficava parada em um local, poucas crianças e adolescentes iam. Ao perceberem essa dificuldade, os organizadores decidiram transferi-la para um ônibus. 

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O veículo, cedido pelo MPDFT,  foi transformado em uma sala de aula e em um centro cultural itinerante. Ele foi adesivado com a identidade visual elaborada por Elder Galvão, com referências à diversidade cultural de Ceilândia.

Dentro do ônibus, é possível conhecer a história da RA. Texto e imagens mostram os espaços de referência da região, como a Feira de Ceilândia e a Casa do Mercadão. Há partes mais didáticas, com informações sobre mobilidade urbana e meio ambiente, e destaque para a importância da drenagem.

 Wilde Gontijo, coordenador do projeto
Wilde Gontijo, coordenador do projeto (foto: Manuela Sá)

Também estão disponíveis dois filmes: um sobre a história e a cultura da região e outro com entrevistas que mostram a visão de estudantes de escolas públicas sobre a cidade. Do lado de fora, os alunos podem brincar de amarelinha com temas relacionados à exposição e com um mapa afetivo dos locais da RA. 

Foram escolhidos, ainda, estudantes do ensino médio em cada escola para atuarem como mediadores. A ideia é que eles ajudem na hora da realização das atividades e compartilhem o que aprenderam com os estudantes mais novos. 

Identificação

A Associação Andar a Pé é um grupo que trabalha com o tema da mobilidade do pedestre na cidade há quase 10 anos. Antes de fazer a exposição, o grupo realiza entrevistas com a comunidade local para definir como vai ser a mostra. A expectativa de Wilde Gontijo, coordenador do projeto, é de que o público se veja no que vai ser apresentado. "Acho que as crianças vão gostar muito de ver a cidade delas em uma exposição. De forma geral, elas costumam ver a Brasília monumental, aquela que o Brasil conhece. Agora, o projeto é uma oportunidade de elas verem a própria cidade, sua história e seus personagens. Elas podem interagir com o lugar onde moram de uma forma lúdica, mas também séria", afirma. 

A exposição trata de temas como história, cultura, meio ambiente, mobilidade urbana e direito à cidade. Segundo Gontijo, esses são assuntos difíceis de chamar a atenção das crianças. Com o projeto e uma linguagem mais acessível, eles planejam conquistar esse público e fazer com que ele se "apaixone pelo assunto". 

Promotora de justiça Laís Cerqueira
A promotora Laís Cerqueira (foto: Manuela Sá)

Integrante da direção da Associação Andar a Pé, Sandra Bernardes Ribeiro destaca a função da exposição no estímulo ao pertencimento de novas gerações. "É um projeto que busca estimular a cidadania, a participação das crianças nas questões da cidade, na sua história, na sua identidade cultural, na questão do meio ambiente e na melhoria das condições da cidade", afirma. 

A promotora de justiça Laís Cerqueira destaca que o projeto trabalha algo que, muitas vezes, não é abordado em sala de aula. "A partir da origem dos problemas que a cidade enfrenta, o projeto faz com que as crianças e os adolescentes reflitam criticamente sobre a questão humana", avalia. 

Ela também nota que, em edições passadas, cada participante traz algo de particular para a conversa. "É sempre muito dinâmico, porque cada cidade tem uma característica própria, com problemas urbanos que são peculiares daquela região. É interessante quando começa uma discussão a partir de algum assunto que alguém levantou no contexto da exposição", ressalta. 

*Estagiária sob a supervisão de Tharsila Prates

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postado em 10/03/2026 04:30
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