
A Esplanada dos Ministérios amanheceu tomada por corredores e expectativa, ontem. O quarto e último dia da Maratona Brasília 2026 reuniu milhares de atletas nas provas de 3km, 5km, 10km, 21km e 42km, encerrando com energia e emoção uma programação que, ao longo de quatro dias, integrou esporte, saúde e celebração dos 66 anos da capital federal.
Com largadas a partir das 5h30, os participantes ocuparam o Eixo Monumental em um cenário simbólico, tendo o Museu Nacional como ponto de partida. Entre corredores experientes e iniciantes, o dia foi marcado por superação pessoal e espírito coletivo, especialmente entre aqueles que concluíram os desafios acumulados ao longo do evento, como o "Brasília Sem Limites", que exigiu fôlego e disciplina desde sábado.
Organizada pelo Correio, a maratona consolidou-se como um dos principais eventos do calendário do aniversário da cidade. Nesta edição, o evento reuniu cerca de 5,5 mil participantes ao longo dos quatro dias de programação. A expectativa, segundo a organização, é ampliar esse número nas próximas edições, com a meta de alcançar 10 mil corredores em um futuro próximo.
Para o vice-presidente-executivo do Correio Braziliense, Leonardo Moisés, o simbolismo da maratona está diretamente ligado à coincidência de datas. "Ter uma maratona na capital federal, no dia do aniversário de Brasília, no dia do aniversário do jornal que nasceu junto com a capital, acho que são poucas empresas que conseguem proporcionar esse tipo de coisa", afirmou.
Outro impacto esperado é o fortalecimento do turismo esportivo na capital federal. A presença de corredores de diferentes regiões do país já sinaliza esse movimento. "A gente espera que o evento vá crescer ao ponto de conseguir trazer riqueza para a capital", afirmou Moisés.
Parceria
Entre os participantes, a parceria entre o casal Nilmar Souza, 48, e Danúbia Souza, 41, também se destacou como exemplo de apoio e companheirismo. Enquanto ela se preparava para encarar os 21km, ele assumia o papel de incentivador desde as primeiras horas do dia. "Acordamos cedo, ela fez toda a preparação, e eu vim para apoiar mesmo", contou Nilmar.
A corredora começou recentemente a se desafiar em provas maiores. Ela contou que encarou a corrida atual como parte da preparação para a meia maratona do Rio de Janeiro, prevista para junho. Apesar da ansiedade, demonstrou confiança. "Agora estou um pouco ansiosa, mas preparada", afirmou. O marido garantiu que continuará ao lado da esposa em qualquer desafio. "O que ela for fazer, eu estarei junto", disse. Ao fim da prova ela celebrou a conquista. "Consegui! Foi bem desgastante, mas atingi o meu objetivo e já quero mais!", acrescentou.
O esporte simbolizou uma das diversas afinidades do casal Karla Gomes, farmacêutica, e Edmar Gomes, engenheiro eletricista. Eles, que disputaram ontem a corrida de 10km, relacionam a prática do exercício como uma terapia. "A corrida me ajudou a superar um caso de assédio moral que sofri no trabalho. A corrida também me ajudou a superar uma perda de audição, que tive na época da pandemia. A corrida, para mim, é terapêutica", destacou Karla, ao acrescentar que costuma correr com fones de ouvido, escutando um bom e velho rock and roll.
Já a aposentada Maria Emília de Fátima, 70, procurou uma atividade que pudesse preencher seu tempo livre após se aposentar. "Comecei em 2024 e, de lá para cá, é só isso que faço. Quando pensei em me aposentar, procurei alguma coisa que pudesse fazer depois. Nunca gostei de fazer atividade física, mas com o incentivo de uma amiga, comecei a correr e viciei", declarou após a prova dos 10 km. O objetivo de Maria é competir a meia-maratona (21km), e a aposentada tem treinado para este objetivo.
Ela nunca perdeu uma Maratona de Brasília sequer, e afirma que o hábito mudou sua vida. "Principalmente condicionamento físico, porque junta a atividade com a alimentação, porque tem que fazer o controle alimentar também, e fortalecimento com personal", explicou.
Programação cultural
Além do esporte, a programação do evento também contou com atrações culturais para expandir a experiência do público. Houve apresentações de capoeira, performances circenses, aulas de dança inclusivas e shows musicais, além de um toque de carnaval com o bloco Eduardo e Mônica.
*Estagiário sob a supervisão de Patrick Selvatti
Saiba Mais
Carlos Silva
RepórterFormado em Jornalismo na Universidade de Brasília (UnB). É repórter na editoria de Cidades do Correio Braziliense. Tem interesse em jornalismo de dados e temas ligados à segurança pública.
Vitória Torres
RepórterRepórter na editoria de Cidades. Jornalista em formação pela Universidade Católica de Brasília (UCB). Atuou nas editorias de Política, Economia e Brasil.
Fernanda Strickland
RepórterFormada em jornalismo na Universidade Paulista (UNIP). É repórter de economia do Correio Braziliense desde 2020. Participou do Estágio de Correspondentes de Assuntos Militares (ECAM) 2019. Já passou pelas assessorias de comunicação da Embrapa e do IFB.

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