tráfico de drogas

Fuzis e lavagem milionária: polícia expõe elo entre facção do Rio e DF

Operação cumpriu, nesta sexta, 96 mandados judiciais contra envolvidos em uma complexa organização criminosa voltada ao tráfico interestadual de drogas

Uma operação coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Civil (Draco/Decor) cumpriu, nesta sexta-feira (10/4), 96 mandados judiciais contra envolvidos em uma complexa organização criminosa voltada ao tráfico interestadual de drogas. A polícia identificou o elo entre criminosos brasilienses e faccionados membros do Terceiro Comando Puro (TCP) e Comando Vermelho (CV), ambos do Rio de Janeiro.

A partir de uma investigação da 13ª DP (Sobradinho) de 2024, que revelou uma estrutura de abastecimento do mercado de drogas no DF e a ocultação de valores ilícitos, policiais da Draco constataram a articulação entre criminosos do DF e do Rio. A conexão ficou mais clara com a viagem de três dos investigados do DF para a comunidade da Maré, no Rio de Janeiro. Segundo as investigações, o trio passou por um treinamento com membros do TCP com o uso de armas de grosso calibre, como fuzis.

Financeiro

No eixo financeiro, a investigação revelou um mecanismo estruturado de lavagem de dinheiro, com emprego de empresas de fachada, contas bancárias de terceiros, criptoativos e operadores distribuídos em diferentes unidades da federação. Foram identificadas pessoas jurídicas de curta duração e sem capacidade operacional compatível com os valores movimentados, registradas em estados como Amazonas, Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

Houve, ainda, pulverização de recursos por transferências em valores padronizados, uso de plataformas de criptoativos e saques massivos em espécie, expediente voltado a dificultar o rastreamento patrimonial e a atuação dos mecanismos oficiais de controle. Apenas uma das contas investigadas, como exemplo, registrou movimentação superior a R$ 79 milhões em curto período.

As apurações também alcançaram investigados estrangeiros apontados como peças relevantes na engrenagem financeira e logística vinculada aos núcleos criminosos apurados. Entre os alvos, há dois colombianos e um venezuelano. Um dos colombianos já havia sido investigado pela Polícia Federal por sua atuação no núcleo de lavagem de dinheiro no estado do Amazonas de facção criminosa originária do Rio de Janeiro, encontrava-se em difusão vermelha da Interpol e foi preso recentemente na Espanha. O outro colombiano também está preso no país de origem. O alvo venezuelano está localizado em Santa Catarina. Todos aparecem, em graus distintos, inseridos na dinâmica operacional do grupo.

Segundo a Draco, a periculosidade da organização também ficou evidenciada em episódio envolvendo um dos responsáveis pela recepção e distribuição de drogas remetidas ao Distrito Federal. Ele morreu em agosto de 2024 em confronto com a Polícia Militar de Minas Gerais enquanto transportava grande carregamento de maconha, portava arma de fogo de uso restrito e mantinha anotações vinculadas à contabilidade do tráfico.

Ordens judiciais

Foram deferidos 40 mandados de prisão temporária, pelo prazo de 30 dias, além de mandados de busca e apreensão para 56 endereços. As ordens judiciais também alcançaram amplo conjunto de medidas assecuratórias patrimoniais, com decretação de indisponibilidade de bens de 49 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, além de bloqueio de até R$ 1 bilhão em contas, bloqueio de ações custodiadas na CVM, sequestro de veículos, sequestro de três imóveis e bloqueio de criptoativos.

A execução das medidas e das diligências contou com apoio da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCRJ), do Estado de São Paulo (PCSP), de Santa Catarina (PCSC), do Paraná (PCPR), do Amazonas (PCAM), e de Goiás (PCGO), da Polícia Penal do DF, bem como da D.O.E. – Divisão de Operações Especiais da PCDF.

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