
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), realizou, na manhã desta sexta-feira (15/5), a Operação Bypass. A ação teve como alvo uma organização criminosa especializada em invasões não autorizadas ao sistema GETRAN, plataforma de gerenciamento de registros veiculares do Departamento de Trânsito (Detran-DF). O grupo é suspeito de realizar fraudes em larga escala, incluindo a exclusão de multas e transferências ilegais de frotas empresariais, gerando um prejuízo estimado em dezenas de milhões de reais.
As investigações começaram há cerca de quatro meses, após denúncias de transferências de veículos feitas sem o consentimento dos proprietários. A polícia descobriu que o bando utilizava um aplicativo de contorno, chamado internamente de "sistema de bypass", para acessar o domínio oficial da autarquia.
A ferramenta foi desenvolvida pelo líder do grupo, um especialista em engenharia de sistemas, e permitia simular interfaces do Detran para automatizar operações ilícitas em uma velocidade centenas de vezes superior à ação humana.
Com o acesso ilegítimo, os criminosos realizavam a baixa de infrações, emplacamentos fraudulentos, regularização indevida de condutores e até a obtenção de financiamentos bancários utilizando documentos adulterados.
O Detran-DF colaborou com o inquérito, fornecendo registros que permitiram identificar os padrões de invasão e a origem das conexões. Segundo a PCDF, a organização era dividida entre o núcleo técnico, articuladores que captavam clientes para as fraudes e operadores financeiros que ocultavam os lucros por meio de lavagem de dinheiro.
Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária e quatro de busca e apreensão no Distrito Federal. A Justiça também autorizou o bloqueio de contas bancárias e a apreensão de veículos de luxo e dispositivos eletrônicos.
Os investigados devem responder por invasão de dispositivo informático, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Se condenados, as penas somadas podem ultrapassar os 30 anos de reclusão. O inquérito segue em curso para identificar outros possíveis envolvidos e mapear o montante total do dano ao erário.
Ao Correio, o Detran informa, por meio de nota, que atua em conjunto com a PCDF nas investigações, colaborando com as apurações e fornecendo informações técnicas e registros de acesso que contribuíram para a identificação de padrões de invasão.
O diretor-geral do Detran-DF, Marcu Bellini, destaca que a cooperação institucional com a PCDF é fundamental no enfrentamento aos crimes cibernéticos e reforça que a autarquia continuará prestando total apoio técnico e institucional às investigações em andamento.
Confira a nota do Detran-DF na íntegra:
O Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) informa que atua em conjunto com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na Operação Bypass, deflagrada nesta sexta-feira (15) pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC/DECOR). A ação investiga uma organização criminosa suspeita de realizar acessos ilegais aos sistemas da autarquia.
As investigações apontam que os envolvidos utilizavam invasões ao sistema Getran para cometer fraudes, como transferências irregulares de veículos, alterações de dados de condutores e exclusão indevida de autos de infração de trânsito.
O Detran-DF colaborou ativamente com a apuração, fornecendo informações técnicas e registros de acesso que contribuíram para a identificação de padrões de invasão e dos endereços de origem das conexões fraudulentas.
A autarquia também vem adotando medidas alinhadas às boas práticas de governança em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), segurança da informação, Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e proteção de infraestruturas críticas da Administração Pública.
O diretor-geral do Detran-DF, Marcu Bellini, destaca que a cooperação institucional com a PCDF é fundamental no enfrentamento aos crimes cibernéticos e reforça que a autarquia continuará prestando total apoio técnico e institucional às investigações em andamento.
“Estamos atentos e trabalhando em conjunto com a PCDF para identificar os responsáveis por essas ações criminosas. Paralelamente, seguimos investindo no fortalecimento da segurança cibernética e na proteção dos dados institucionais, com a implantação de soluções de criptografia de banco de dados, autenticação multifator, modernização do sistema Getran, dentre outros. Essas iniciativas ampliam os mecanismos de prevenção contra acessos indevidos, vazamento de informações, fraudes digitais, ataques cibernéticos e comprometimento de serviços críticos, garantindo mais rastreabilidade, monitoramento, disponibilidade, integridade e confidencialidade das informações tratadas pelo Detran-DF”, afirma Bellini.

Cidades DF
Cidades DF
Cidades DF