VIOLÊNCIA SEXUAL

Ceilândia concentra maior número de denúncias de violência contra crianças no DF

Levantamento feito pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) mostra que região concentra o maior número de notificações de crimes sexuais e maus-tratos em 2025, com 293 casos

Nesta segunda-feira (18/5), o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) divulgou dados que revelam Ceilândia como região com maior concentração de denúncias de crimes sexuais e de maus-tratos contra crianças e adolescentes no DF, em 2025. Foram registrados 293 casos. Em seguida, aparecem Brasília, com 237; Planaltina, com 134; Samambaia, com 132; Taguatinga, com 122; e Sobradinho, com 117 denúncias. 

Segundo o MPDFT, mais da metade das denúncias relacionadas a crimes sexuais e maus-tratos em 2025 teve crianças e adolescentes como vítimas. O levantamento, realizado pelo Núcleo de Enfrentamento à Violência e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes (Nevesca), mostra que, das 1.820 notificações registradas pela MPDFT no último ano, 967 casos (53,1%) envolviam vítimas menores de 18 anos. 

Crimes recorrentes 

Entre os crimes com maior recorrência, destacam-se estupro de vulnerável, com 584 casos; maus-tratos, com 216 casos; e importunação sexual, com 83 casos. O relatório indica, ainda, que em 2025 foram iniciados 3.671 inquéritos policiais e termos circunstanciados relacionados a crimes contra a dignidade sexual e maus-tratos no DF. Entre eles, 1.707 casos (46,5%) envolviam crianças e adolescentes e os registros mais frequentes são estupro de vulnerável, 691 casos; importunação sexual, 97; e estupro, 63. 

Meninas representam a maior parte das vítimas

De acordo com a Subsecretaria de Vigilância à Saúde do DF, o sexo feminino é predominante entre as vítimas. Isso porque, no terceiro quadrimestre do ano passado, mais da metade das denúncias de violência sexual (54,40%) dizia respeito a meninas e adolescentes. Foram registradas 201 notificações entre meninas de 10 a 19 anos, frente a 13 do sexo masculino. Em 2026, o cenário persiste com 40% de vítimas femininas registradas no primeiro trimestre. 

Para combater 

Neste 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) faz um chamado às instituições públicas, sociedade e famílias para uma mobilização diante deste cenário. O órgão ressalta que as denúncias ainda enfrentam dificuldades, uma vez que a maioria dos casos de violência sexual e maus-tratos ocorrem dentro do ambiente doméstico e familiar, onde existem relações de confiança, dependência ou o silêncio imposto às vítimas.

O MPDFT possui ações contínuas de fortalecimento do atendimento humanizado às vítimas e de estímulo à denúncia, considerada fundamental para romper ciclos de violência. A promotora de justiça Liz Elainne aponta o Projeto Ágora, que aproxima o MP da sociedade e estimula a denúncia segura, e o Portal da Criança e do Adolescente, lançado em 2025, que funciona como um espaço seguro para pedir ajuda e é uma ferramenta eficaz para quem protege.

Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo site do MPDFT, por meio do Portal da Criança e do Adolescente, ou pelo e-mail pdij@mpdft.mp.br.


 

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