Um homem de 23 anos foi preso pela Polícia Civil por suspeita de estar à frente de uma organização criminosa que estaria aplicando golpes por meio de anúncios falsos na internet. Nas investigações, as equipes identificaram uma quadrilha anunciando eletrodomésticos e demais produtos abaixo do valor de mercado, manipulando as vítimas com fotos produzidas por Inteligência Artificial (IA).
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Em Planaltina, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, além do mandado de prisão contra o possível mandante do grupo. Segundo informações da PCDF, os anúncios eram feitos em plataformas de venda, entre delas o Marketplace do Facebook. Após conseguir atrair a vítima para um contato direto em aplicativos de mensagens, os criminosos simulavam situações de extrema urgência, com justificativas emocionais para persuadir as vítimas a transferirem valores sucessivos.
A organização também investia em técnicas sociais para induzir pagamentos antecipados. Com imagens produzidas por IA, as vítimas eram seduzidas a acreditar que os produtos já estavam embalados, ou mesmo sendo enviados por uma caminhonete de frete. O valor da fretagem era cobrado de maneira antecipada, sendo pedidos entre R$ 100 e R$ 200. Em um dos casos, a vítima chegou a pagar o valor integral do produto, que nunca foi recebido.
Realizadas as transferências, o alvo era bloqueado nos meios de comunicação utilizados. Ainda segundo a polícia, o grupo utilizava múltiplas contas bancárias, pertencentes a pessoas de fora. Com diferentes perfis e contas falsas, o golpe era operacionalizado pelos criminosos. As contas de e-mail auxiliavam a criar novas contas, usadas para a publicação dos anúncios fraudulentos.
O grupo ainda utilizava diferentes aparelhos celulares, com linhas telefônicas reutilizadas nas fraudes. Comparando as ocorrências registradas no Distrito Federal, a equipe da 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural), identificou forte vínculo entre diferentes boletins de ocorrência, com mesmo padrão de execução, reutilização de contas bancárias e demais elementos técnicos semelhantes.
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De acordo com a PCDF, o homem de 23 anos também é suspeito de outras denúncias do mesmo tipo ocorridas em 2024, o que pode indicar um hábito criminoso.
As investigações duraram quatro meses e os investigados poderão responder pelos crimes de associação criminosa, estelionato eletrônico e lavagem de dinheiro. Juntas, as penas podem ultrapassar duas décadas de reclusão.
