Sustentabilidade

Feira temática reúne brechós neste sábado (30/5) em shopping da Asa Norte

Moda sustentável ganha força com a 17ª edição do BSBrechós, que reúne expositores, consumidores e peças cheias de história no Liberty Mall

Enquanto a indústria da moda produz cerca de 100 bilhões de peças de roupa por ano no mundo, mais de três mil por segundo, iniciativas de moda circular tentam desacelerar os impactos ambientais do consumo excessivo. Segundo dados da Fundação Ellen MacArthur, cerca de 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis são geradas anualmente no planeta, sendo quatro milhões apenas no Brasil. Em meio a esse cenário, os brechós vêm conquistando novos públicos e espaços na capital federal.

Na 17ª edição do BSBrechós, mais de 13 brechós ocupam, pela primeira vez, um espaço dentro do Liberty Mall, na Asa Norte. O evento itinerante reúne peças vintage, roupas de grife, acessórios e garimpos com preços acessíveis. A iniciativa surgiu no ano passado e tem como foco fortalecer a moda sustentável.

A idealizadora da feira, Andreza Dantas, 29 anos, organizadora do BSBrechós e dona do brechó The Closet, explica que o projeto nasceu da vontade de valorizar os pequenos empreendedores da moda circular. "Percebia que existiam muitos brechós incríveis, mas poucos espaços organizados e acessíveis para conectar esses lojistas ao público", afirma.

Segundo Andreza, o preconceito em torno das roupas de segunda mão diminuiu nos últimos anos. "Hoje, o público entende que comprar em brechó é consumir com consciência, economizar e ainda encontrar peças exclusivas. A moda circular deixou de ser apenas uma alternativa e passou a fazer parte do estilo de vida de muita gente", diz.

Além da sustentabilidade, ela destaca o impacto econômico desse modelo de consumo. "Muitas mulheres encontram nesse mercado uma forma de renda e independência financeira. Cada peça carrega história, identidade e personalidade", completa.

Giovanna Kunz/CB/D.A. Press -
Fotos: Giovanna Kunz/CB/D.A Press -
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Entre os visitantes da feira está a bombeira militar Gabrielle Carvalho, 36, que descobriu o evento pelo Instagram. Frequentadora de brechós desde a infância, ela conta que o hábito vem da família. "A gente sempre gostou de ir em bazar de igreja e brechó. Hoje virou até encontro de família", relata.

Para Gabrielle, o grande diferencial está na autenticidade das peças. "Quando você vai a uma loja normal, já sabe o estilo que vai encontrar. No brechó existe imprevisibilidade. Em tempos de fast fashion, encontrar peças artesanais e diferentes vale muito", afirma.

A influenciadora Giovana Fernandes, 32, também acompanha os eventos pelo Instagram e começou a comprar roupas de segunda mão em uma fase em que não tinha condições de consumir em lojas tradicionais. "Fui entendendo mais sobre moda circular e reaproveitamento de roupas", explica.

Hoje, ela vê o brechó como um espaço de histórias. "Cada roupa viveu alguma coisa antes de chegar até mim. Acho incrível imaginar isso", comenta.

Victor Hugo, 24, empreendedor responsável pelo Vinovi Brechó, começou no ramo após dificuldades no mercado formal de trabalho. "Queria explorar um novo caminho profissional e decidi abrir meu próprio negócio", conta.

Sem loja física, Victor participa de feiras de brechó desde o ano passado. Sua curadoria mistura peças de luxo e roupas acessíveis. "Gosto de trabalhar com tecidos nobres, mas também trazer opções baratas sem perder qualidade", explica. As peças variam entre R$ 19,90 e R$ 800.

Vintage

Pioneira no segmento em Brasília, Kaká Mizuki, 63, dona do Carmelitas Brechó Grife e Vintage, começou no mercado há cerca de 25 anos, quando os brechós ainda eram pouco valorizados. "Na época, as pessoas nem entendiam o que era vintage", lembra.

Ela conta que o primeiro brechó surgiu no Polo de Artesanato da Asa Sul, ainda com o nome Empório K. Desde então, passou a investir em peças vintage e grifadas, ocupou diversos espaços e projeta um novo endereço. "Vejo que finalmente as pessoas estão entendendo o valor histórico e cultural dessas roupas", diz.

Quem também expõe na feira é a jornalista e consultora de imagem Chris Meireles, 55, do brechó Impression by Chris Meirelles. O negócio nasceu na pandemia, quando começou a trocar consultorias de imagem por peças de roupa das clientes.

"A pandemia trouxe muitas mudanças de corpo e estilo. As pessoas precisavam renovar o guarda-roupa e foi assim que o brechó surgiu", explica. Chris afirma que trabalha com uma curadoria cuidadosa, priorizando peças em perfeito estado e marcas de qualidade.

Ela destaca ainda a importância simbólica desta edição no Liberty Mall. "Essa entrada em um shopping é pioneira para a moda sustentávela. Antes, existia muito preconceito com brechó. Hoje, percebemos que as pessoas estão mais abertas", afirma.

Além da compra

A advogada Michelle Nunes, 35, vê os brechós como uma experiência além da compra. Frequentadora assídua, ela acredita que a moda sustentável amplia as possibilidades de estilo de forma acessível. "Existe uma variedade muito maior. É um espaço onde a gente se permite viver novas experiências", diz ela, que encontrou em uma peça como incentivo para atingir a meta de perda de peso. "Não serve em mim agora, mas eu vislumbrei e falei: 'Vou usar essa peça'."

Já o arquiteto Igor Garcia, 25, conheceu o evento pelo TikTok e decidiu visitar a feira pela primeira vez enquanto procurava roupas para um casamento. "Em São Paulo já tive experiências muito boas em brechós", comenta.

Em meio a araras lotadas, peças vintage e consumidores em busca de exclusividade, o BSBrechós mostra que os brechós deixaram de ocupar apenas pequenos espaços alternativos para ganhar destaque em ambientes antes dominados exclusivamente pela moda tradicional.

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