
Neste ano, os períodos da Copa do Mundo e das festas de São João coincidem. Se em datas distintas esses eventos aquecem a economia, ocorrendo juntos, a expectativa é ainda maior. Para falar sobre isso, os jornalistas Roberto Fonseca e Sibele Negromonte receberam, nesta sexta-feira (12/6), no CB.Agro — parceria entre o Correio e a TV Brasília — o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar), Jael Silva, e o empresário do setor de carnes Rogério Trondoli.
Durante a Copa do Mundo, tem alguma mudança no consumo de carne? Alguma carne vira preferência do consumidor?
Rogério Trondoli: Com certeza. Nessa época, as compras migram mais para os cortes de churrasco. Assim como hambúrgueres e espetinhos, são cortes que se consome mais nesse período. Eventos que reúnem pessoas para compartilhar favorecem cortes maiores e mais em conta. Com o melhoramento genético dos bois, é possível conseguir carnes macias praticamente do boi inteiro. Cortes como acém e paleta têm sido menos duros, podendo ser utilizados em churrascos. Isso democratiza o churrasco.
Falando em espetinhos, junho também é bom para o comércio de carne por causa das festas juninas e esse é um dos pratos tradicionais.
Rogério Trondoli: Com certeza. A nossa venda de espetinho quadruplica. Junto com a Copa, a expectativa é aumentar mais ainda, porque vai estar todo mundo na rua confraternizando. São dois eventos sociais que conversam muito com churrasco. As pessoas recorrem ao espetinho por ser mais prático. Qualquer um faz, não precisa de churrasqueiro especializado. Até na air fryer fica bom.
Nos bares, o pessoal está animado? Têm sido feitas decorações e promoções?
Jael Silva: A expectativa é muito grande, porque os empresários têm investido muito na parte de decoração. A criatividade está em alta, com muitas promoções e até mesmo brincadeiras dentro dos estabelecimentos. O otimismo está muito grande. Em relação à última Copa, em 2022, os bares e restaurantes estão muito mais bem decorados. Isso anima a clientela. Benefícios também têm atraído clientes, como chope com preço promocional, caipirinhas e tira-gostos com valores reduzidos. Isso é uma vantagem para o consumidor.
- Leia também: Corpo de Bombeiros forma nova turma de mergulhadores
A Copa deste ano terá uma duração maior do que as anteriores. Qual a expectativa de crescimento no faturamento?
Jael Silva: Nós estamos esperando um aumento no faturamento de 30% nesses dias específicos, em comparação com os mesmos dias do ano passado. É um número médio entre os estabelecimentos. Até mesmo maior do que o da Copa passada, especialmente porque ela ocorreu no período pós-pandemia, quando muitas pessoas ainda estavam receosas de sair de casa.
E quanto ao cardápio?
Jael Silva: O foco tem sido a bebida. Ela gera maior empolgação na hora dos jogos, com promoções no valor do chope, da caipirinha ou da caipirosca. Teve um comerciante que criou um tira-gosto chamado "Canarinho" (referência ao mascote da Seleção Brasileira), que nada mais é do que o frango à passarinho, para vender melhor.
Qual o tempo médio de permanência dos clientes no estabelecimento durante os jogos?
Jael Silva: Tem cliente que chega bem antes da hora do jogo. Aproximadamente duas horas antes da partida, eles já estão lá. Aos sábados, há pessoas que chegam no horário do almoço, emendam a programação e ficam até o horário do jogo. Alguns bares fazem até reservas. Para os clientes, o ideal é procurar saber se o local onde têm interesse em assistir ao jogo trabalha com reserva. Normalmente, 50% dos bares fazem reservas.
Voltando à carne, qual a dica para aqueles que estão querendo fazer churrasco em casa?
Rogério Trondoli: A conta que a gente faz é de 400 gramas por pessoa. Desse total, é melhor que 1/4 seja destinado a carnes de frango ou suína. Outro 1/4 pode ser destinado à linguiça, enquanto a outra metade (50% do volume) será composta apenas por carne bovina. O ideal é equilibrar carnes gordas e carnes magras, a exemplo de uma picanha com um chorizo ou de uma fraldinha com um flat iron.
E com que antecedência recomenda comprar?
Rogério Trondoli: Um dia antes. Como somos um açougue diferenciado, embalamos a carne à vácuo. Quando vem em um saco normal, sem vácuo, o recomendado é consumir, no máximo, no dia seguinte. No saco a vácuo, você pode deixar na sua geladeira por dez dias. Uma dica importante é sempre colocar a carne congelada na geladeira um dia antes. Nunca colocar direto na temperatura ambiente porque se ela descongelar rapidamente, ela perde muito líquido. Na geladeira, ela perde temperatura aos poucos e preserva o líquido no interior da carne.
Assista à entrevista
Colaborou Manuela Sá*
*Estagiária sob a supervisão de Malcia Afonso

Cidades DF
Cidades DF
Cidades DF