
Em determinados dias e horários, como à noite e aos fins de semana, um alerta de violência doméstica é registrado a cada 15 minutos no DF por meio do programa DF 360, responsável por monitorar ocorrências em tempo real. A informação é do secretário de Segurança Pública Alexandre Patury. “Às vezes, durante a noite ou no fim de semana, a cada 10 ou 15 minutos surge um alerta de violência doméstica com a geolocalização de mulheres que ligam para o 190”, informou o chefe da pasta.
De acordo com Patury, os dados da pesquisa intitulada Panorama da Violência contra a Mulher no DF, divulgada nesta sexta-feira (12/6) pelo Governo do Distrito Federal (GDF), refletem a realidade enfrentada diariamente pelas forças de segurança. “Quando vemos números como os da pesquisa, percebemos que não estão fora da curva, são a realidade. E, pior ainda, são subnotificados, porque muitas mulheres, por medo, não acionam a polícia”, destacou.
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O objetivo do levantamento é compreender o que leva homens a cometerem feminicídio. O levantamento, considerado o primeiro estudo desse porte realizado por um ente federativo no país, ouviu mais de 5 mil pessoas e 39 autores de feminicídio presos no Complexo da Papuda para mapear fatores associados à violência contra a mulher e subsidiar políticas públicas de prevenção, acolhimento e proteção.
Para Patury, a pesquisa ajuda a combater a negação sobre a dimensão do problema. “É um estudo inédito e corajoso, porque busca entender algo que muitas vezes se evita discutir: as motivações desses crimes. Mas, para quebrar o ciclo, é preciso compreender e, para isso, é necessário perguntar”, ressaltou.
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O secretário também apontou a questão patrimonial como um dos fatores relevantes nos casos de violência. “Não se trata apenas de quem é o provedor. Muitas vezes, a mulher sustenta a casa e o homem se apropria desse patrimônio, assumindo uma posição de poder. Essa relação está ligada a um contexto histórico de machismo estrutural”, explicou.
Ele ressaltou, ainda, que o enfrentamento da violência vai além da atuação policial. “Segurança pública não se resolve apenas com polícia. Passa por educação, cultura, esporte e oportunidades”, concluiu.

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