O homem acusado de matar e decapitar uma mulher em Taguatinga, em 23 de dezembro de 2025, será julgado pelo Tribunal do Júri de Taguatinga. A decisão foi proferida pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), que pronunciou Leandro Rodrigues dos Santos pelos crimes de feminicídio praticado em contexto de violência doméstica, descumprimento de medida protetiva, com emprego de crueldade e recurso que dificultou a defesa da vítima.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o crime ocorreu entre 1h50 e 2h12 do dia 23 de dezembro de 2025, na QNL 16, em Taguatinga. A vítima, Lidiane Paula de Souza, foi atacada pelo ex-companheiro com golpes de facão em via pública. Segundo a acusação, ela foi arrastada pela rua enquanto implorava para não morrer. Ao final das agressões, teria sido decapitada.
As investigações apontam que o acusado e a vítima mantiveram um relacionamento e que, pouco antes do crime, Leandro havia sido preso após agredi-la, injuriá-la e ameaçá-la. Conforme consta nos autos, ele chegou a afirmar que iria esquartejá-la e que utilizaria facas para “picá-la”. Em razão das ameaças, foram concedidas medidas protetivas de urgência em favor da vítima.
Segundo o MPDFT, após deixar a prisão, o acusado descumpriu as medidas judiciais que o proibiam de se aproximar ou manter contato com a ex-companheira e passou a procurá-la para cumprir as ameaças feitas anteriormente. A denúncia sustenta que o feminicídio foi motivado pela condição de sexo feminino da vítima e ocorreu no contexto de violência doméstica e familiar.
Ao decidir pela pronúncia, o juiz responsável pelo caso entendeu haver provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria para que o réu seja submetido ao julgamento pelo Conselho de Sentença. Na decisão, o magistrado destacou depoimentos de policiais e elementos periciais produzidos durante a investigação.
Entre as testemunhas ouvidas está o delegado Allan Ricardo, que relatou que moradores da região informaram ter ouvido a vítima dizer ao agressor durante o ataque: “Baiano, não faz isso, eu te amo”. Segundo os relatos, populares acionaram a polícia, mas, quando as equipes chegaram ao local, encontraram a mulher morta, com a cabeça separada do corpo.
Policiais militares afirmaram ter localizado o acusado pouco depois do crime, ainda com vestígios de sangue nas roupas e nas mãos. De acordo com os depoimentos prestados à Justiça, o suspeito havia sido abordado pela PMDF poucas horas antes do feminicídio, ocasião em que estava portando uma faca.
O magistrado manteve a prisão preventiva do acusado. Na decisão, considerou que permanecem válidos os fundamentos que justificaram a custódia cautelar, especialmente a necessidade de garantia da ordem pública. Com a pronúncia, o processo seguirá para a fase de preparação do julgamento pelo Tribunal do Júri, responsável por decidir se o réu será condenado ou absolvido.
