
Lançamento do Guia de Comunicação Sobre Feminicídios no DF - (crédito: Adriana Bernardes/C.B/D.A Press)
Com o objetivo de qualificar e humanizar a cobertura jornalística de casos de violência de gênero, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) lança, nesta quarta-feira (24/6), o Guia de Comunicação sobre Feminicídios no Distrito Federal. A publicação inédita, elaborada em parceria com o Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT), Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e Defensoria Pública do DF (DPDF), será apresentada durante o evento “Comunicação que Protege”, realizado no Espaço Cultural Renato Russo.
Voltada para profissionais da imprensa e estudantes, a cartilha reúne orientações práticas para evitar a espetacularização, combater discursos que justifiquem o agressor e assegurar uma abordagem fundamentada nos direitos humanos. O secretário de Segurança Pública, Alexandre Patury, ressalta que a iniciativa não visa limitar a atividade da imprensa, mas sim construir protocolos que evitem a revitimização e o constrangimento de familiares.
“A intenção é dizer: olha, ele cometeu o crime de gênero, ele é um feminicida. Não há uma desculpa para o que o agressor cometeu. Queremos evitar o constrangimento e a exposição da família. A discussão é respeito e empatia. É uma sugestão para que a gente construa, de maneira conjunta, a melhor forma de levar a notícia: que as pessoas fiquem informadas, mas que não haja nenhum tipo de justificativa para quem cometeu o crime”, afirma o secretário.
O papel social da mídia na prevenção de novos crimes também foi um dos pilares destacados no lançamento. O promotor de Justiça e coordenador da Comissão de Prevenção e Combate ao Feminicídio do MPDFT, George Lordello, reforça que a forma como a violência é narrada pode funcionar como uma ferramenta de apoio às vítimas e estímulo a denúncias.
"A iniciativa visa reforçar que o enfrentamento ao feminicídio exige a integração entre justiça, imprensa e rede de proteção com o fim de romper o silêncio, evitar a revitimização e combater a naturalização da violência de gênero na sociedade", declara.
Outro ponto crucial é a necessidade de esclarecer o funcionamento e a eficácia das garantias legais existentes. Para a promotora de Justiça do MPDFT Gabriela Gonzalez, a imprensa desempenha uma missão vital ao incentivar que as mulheres busquem o Judiciário, desmistificando a ideia de que os instrumentos de proteção não funcionam.
“Os dados estatísticos demonstram que as medidas protetivas, de fato, salvam vidas. A maioria das mulheres que se tornam vítimas fatais de feminicídio não possuía essa proteção e sequer havia ingressado no sistema de justiça. Observamos um número expressivo de mulheres que buscaram o sistema, obtiveram as medidas e permanecem seguras", analisa.
A coordenadora da Mulher no TJDFT, juíza Fabriziane Zapata, explicou que o guia traz o conceito de copycat — um efeito de imitação que já é monitorado em episódios de suicídios e ataques a escolas. “Para a pessoa que não tem nenhuma tendência à violência, ela vê a notícia e não é motivada por qualquer efeito imitativo. Mas para determinadas pessoas, pode gerar exatamente o efeito contrário: daquela pessoa querer fazer ou se sentir incentivada a cometer o feminicídio”, alerta.
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Por Letícia Mouhamad
postado em 24/06/2026 10:16 / atualizado em 24/06/2026 14:26
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