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"Debate vai além de esquerda ou direita", afirma presidente do PSB-DF

O presidente do PSB-DF, Rodrigo Dias, diz que o partido busca diálogo com várias correntes políticas e avalia cenário com uma eventual saída de Michelle Bolsonaro da disputa ao Senado

Rodrigo Dias, presidente do PSB-DF, foi entrevistado no CB.Poder. Na bancada, os jornalistas Carlos Alexandre de Souza e Ronayre Nunes -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Rodrigo Dias, presidente do PSB-DF, foi entrevistado no CB.Poder. Na bancada, os jornalistas Carlos Alexandre de Souza e Ronayre Nunes - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O presidente do Partido Socialista Brasileiro (PSB) no Distrito Federal, Rodrigo Dias, afirmou que a legenda mantém diálogo com o PT para integrar uma ampla aliança na disputa ao Governo do Distrito Federal (GDF), mas não abre mão do nome de Ricardo Cappelli como candidato ao Buriti. Em entrevista ao CB.Poder, nesta quarta-feira (1º/7), ele disse que resolver "o caos da saúde pública no DF" será a principal bandeira de campanha do PSB. Aos jornalistas Carlos Alexandre de Souza e Ronayre Nunes, ele também comentou sobre os impactos de uma eventual desistência de Michelle Bolsonaro da corrida ao Senado e avaliou que a ex-primeira-dama do país enfrenta um projeto misógino do bolsonarismo.

Como estão as conversas para a construção de uma candidatura ao GDF?

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Acreditamos que Ricardo Cappelli é o melhor nome para nos representar na corrida ao Buriti. Ao mesmo tempo, dialogamos com todos os partidos do nosso campo e também com outras forças políticas, como o Solidariedade, por intermédio do ex-senador Reguffe, e o PSDB, por intermédio da deputada distrital Paula Belmonte. O que acreditamos é que precisamos reunir o máximo de lideranças que tenham responsabilidade com a cidade e que façam uma oposição programática ao atual governo, com projeto de cidade.

Ricardo Cappelli afirmou que também pretende dialogar com partidos de centro. Como o PSB vê essa estratégia?

Queremos construir um campo político que não represente só esquerda ou direita. O debate no DF vai além disso. Estamos discutindo civilização contra barbárie. Um projeto de cidade que é totalmente diferente do que vemos hoje. Para isso, é preciso unir pessoas diferentes em suas convergências, e aqueles que tenham responsabilidade com o futuro da cidade.

A união entre PSB e PT ocorreu em vários estados, mas não ainda  no DF. Por quê?

No caso de PT e PSB, são dois partidos que governaram o DF. Hoje, dos três ex-governadores do campo progressista do Distrito Federal, dois estão no PSB. Por isso, acreditamos que nada é mais legítimo do que termos protagonismo nessa chapa. No DF, infelizmente, não conseguimos fazer uma composição pura e simplesmente de esquerda. O DF exige que tenhamos amplitude. Por isso, acreditamos que Ricardo Cappelli é o candidato que tem mais condições de ampliar esse diálogo.

Quais serão as principais bandeiras do PSB na campanha?

A grande dor da população hoje é a saúde pública. Resolver esse caos é central. Isso passa por discutir o modelo de saúde pública. A forma como o governo Ibaneis implementou e ampliou o modelo do Iges não deu certo. É um modelo falido, que não apresenta resultados concretos. Hoje, temos mais de 30 mil pessoas aguardando uma cirurgia. Há hospitais sem atendimento básico. A primeira coisa para resolver no DF é o desafio do problema da saúde pública, pois tem gente morrendo na fila do SUS.

Como o senhor avalia a saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher e a possibilidade de ela não disputar o Senado?

Do ponto de vista ideológico, o projeto bolsonarista sempre foi em essência um projeto misógino. O que estão fazendo com Michelle Bolsonaro é claramente misógino. Uma figura do campo dele que apresentou destaque é claramente excluída pela família Bolsonaro. Mas não acredito que isso, no fim das contas, vai resultar no total rompimento. Tem uma disputa de protagonismo. 

A saída de Michelle Bolsonaro aumenta as chances do campo progressista conquistar as duas vagas ao Senado?

Se Michelle sair, outro candidato vai ocupar esse projeto bolsonarista. O que vivenciamos é um processo de consolidação entre esses dois blocos. O campo progressista precisa ampliar. Hoje, o campo bolsonarista representa uma parcela importante do eleitorado, mas o centro representa cerca de 40% dos eleitores do DF. Se fizermos uma disputa apenas entre os dois campos, muito provavelmente não teremos êxito. Precisamos apresentar candidatos que consigam dialogar também com esse eleitor de centro. A Leila do Vôlei, por exemplo, cumpre um pouco esse papel, porque consegue votos para além do campo progressista.

Como o PSB pretende conquistar os eleitores indecisos?

Nossa chapa representa renovação. Fizemos isso em 2022 e estamos repetindo agora. Acho que cabe aos partidos abrir espaço para novas lideranças. Se continuarmos apresentando os mesmos representantes e os mesmos caciques, dificilmente vamos romper essa barreira e conquistar quem hoje não se sente representado pela política. 

Como o senhor avalia o governo de Celina Leão?

Ela é muito responsável pela situação fiscal que o DF vive hoje. Esse problema vai muito além da questão do Banco Master. Pela Lei de Responsabilidade Fiscal, ela não pode terminar o exercício deixando esse rombo para o próximo exercício. O governo teve as maiores arrecadações da história e, mesmo assim, está deixando um rombo bilionário nas contas públicas. Acho que o grande legado que ela pode deixar é justamente ter responsabilidade com o futuro do Distrito Federal e permitir uma alternância de poder.

Assista o programa completo:

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postado em 02/07/2026 04:00
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