
Há pouco mais de um ano, a vida da família Rodilha dos Santos foi transformada por um grave sinistro de trânsito ocorrido na PA-458, rodovia que liga o município de Bragança à Praia de Ajuruteua, no Pará. O acidente aconteceu em 11 de maio de 2025, Dia das Mães, e deixou um adolescente morto, um pai com sequelas e uma família que afirma seguir à espera de justiça. O Correio conversou com a família, o advogado que a representa e com o promotor do caso. A defesa do condutor apontado pela promotoria como o responsável pelo acidente foi procurada, mas não deu retorno até a veiculação desta reportagem.
No veículo estavam Jânio Venâncio dos Santos, hoje com 52 anos; a esposa, Kátia Silene Rodilha dos Santos, 45; e os filhos Davi Rodilha dos Santos, 21; Suzana Rodilha dos Santos, 16; e Pedro Henrique Rodilha dos Santos, de 14 anos, que permaneceu internado por cerca de 50 dias e morreu no dia 1º de julho de 2025 em decorrência da gravidade dos ferimentos.
Segundo a acusação, o carro conduzido por Maycon Douglas Gomes Teixeira, morador de Taguatinga Sul, invadiu a contramão e colidiu frontalmente contra o veículo da família. Conforme o Termo de Comprovação de Alcoolemia (TCA), o motorista se recusou a realizar o teste do etilômetro, mas apresentava sinais de alteração da capacidade psicomotora.
Ao Correio, o promotor de Justiça Carlos Alberto Fonseca Lopes, titular da 2ª Promotoria de Justiça de Bragança, explicou que o Ministério Público denunciou o motorista por homicídio qualificado combinado com homicídio doloso.
Inicialmente, o caso havia sido registrado como homicídio culposo, e o acusado foi liberado menos de 24 horas após a prisão mediante pagamento de fiança equivalente a cinco salários mínimos. Após recurso da defesa da família, o Ministério Público ofereceu denúncia por homicídio doloso.
O processo ainda não está definido para julgamento pelo Tribunal do Júri. A próxima etapa será uma audiência de instrução, marcada para 25 de março de 2027, às 9h, quase dois anos após o acidente, que ouvirá todas as partes.
Sobre a velocidade em que o veículo trafegava, o promotor afirmou que ainda não há elementos técnicos que comprovem essa informação.
“Não constam nos autos, não tendo sido realizada perícia na época dos fatos. Todavia, essas informações poderão ser supridas por prova testemunhal na instrução do processo”, disse.
O promotor também detalhou os elementos que embasaram a denúncia relacionada à embriaguez ao volante.
“A constatação do estado de embriaguez foi atestada por agente de trânsito, que consignou em formulário próprio que o denunciado, no momento do sinistro, apresentava sonolência e odor de álcool no hálito, além de comportamento falante. Com base nessas características, o agente concluiu que o condutor encontrava-se sob a influência de álcool, tendo se recusado a se submeter aos testes, exames ou perícia que permitiriam certificar o seu estado”, afirmou.
Representante da família, o advogado Manoel Rolando Santos Brazão, do escritório Brazão Advocacia e Consultoria, sustenta que a dinâmica do acidente demonstra uma conduta de extremo risco.
“A colisão provocou a destruição total do automóvel ocupado pela família. Tais circunstâncias, associadas aos demais elementos constantes dos autos, revelam fortes indícios de que o veículo trafegava em velocidade muito superior ao limite permitido para aquele trecho da rodovia”, declarou em nota ao Correio.
“Justamente no Dia das Mães, data que deveria representar união, afeto e celebração familiar, mas que passou a simbolizar dor, sofrimento e uma perda irreparável para todos”, concluiu.
Jânio Venâncio sofreu lesões graves na bacia, quadril, ombro e punho, consideradas permanentes e irreversíveis.
Nesta quarta-feira (1º/6), data que marca um ano da morte de Pedro Henrique, a mãe do adolescente, Kátia Silene, publicou um desabafo nas redes sociais sobre a dor do luto.
“Hoje faz um ano que meu filho Pedro morreu. Mas, na verdade, ele morre todos os dias. Tem dia que ele morre logo cedo, quando acordo. Por um segundo, penso que foi um pesadelo. Então a realidade chega, não o vejo e ele morre”, relatou.
“Ele também morre na dor da incerteza de justiça. Ele morre quando penso em quem causou essa dor com sua imprudência no trânsito, porque a vida dela continua. Todos os dias meu filho morre, mas sobrevive a tudo. Porque ele vive em mim. Pedro não é estatística de trânsito. Tinha nome, sonhos e uma família que não vai se calar”, completou.
O Correio tentou contato com a defesa de Maycon Douglas Gomes Teixeira, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.

Cidades DF
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