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Cancro da videira coloca produção rural do DF em alerta

Em entrevista ao CB.Agro, o secretário de Agricultura, Rafael Bueno, afirmou que doenças que atingem videiras e citros não oferecem riscos à saúde humana, mas podem provocar prejuízos econômicos aos produtores e consumidores

Rafael Bueno:
Rafael Bueno: "Se a oferta de frutas diminui, o consumidor também sente os impactos, com aumento dos preços" - (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

O registro de dois casos de cancro bacteriano da videira no Distrito Federal colocou a produção de uvas em estado de alerta. A doença, considerada uma das mais graves para a cultura da videira no mundo, foi identificada em propriedades do Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal (PAD-DF) e de Brazlândia, durante levantamentos realizados pela Defesa Agropecuária, com apoio da Embrapa.

Em entrevista ao CB.Agro parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília — desta sexta-feira (3/7), o secretário de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do DF, Rafael Bueno, explicou que, embora a doença não represente riscos à saúde humana, ela pode comprometer a produtividade, afetar a qualidade das uvas e dos vinhos e gerar prejuízos aos produtores.

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“Os produtores do DF têm feito grandes investimentos. Infelizmente, detectamos o cancro bacteriano da videira em duas amostras coletadas. Essa é considerada uma das doenças mais graves para a videira em todo o mundo”, afirmou.

Segundo o secretário, a principal hipótese é que a contaminação tenha ocorrido por meio do porta-enxerto utilizado nas mudas. Apesar disso, outras formas de transmissão ainda são investigadas.

Rafael Bueno destacou que a bactéria provoca lesões nas folhas e nos ramos, dificultando a circulação da seiva e reduzindo a chegada de nutrientes aos frutos. Como consequência, há queda na produtividade, perda da qualidade das uvas de mesa e prejuízo à produção de vinhos.

“Na uva de mesa, os cachos perdem valor comercial porque os frutos ficam pequenos e muitos morrem antes do amadurecimento. Já na produção de vinhos, as uvas não acumulam açúcar suficiente, comprometendo a fermentação e a qualidade da bebida”, explicou.

Após a confirmação dos casos, a Secretaria de Agricultura iniciou um monitoramento nas áreas próximas aos focos. As propriedades localizadas em um raio de cinco quilômetros passaram por vistorias e coleta de material para análise laboratorial, enquanto as situadas em um raio de dez quilômetros seguem sendo acompanhadas.

O secretário ressaltou que os próprios produtores desempenham papel fundamental na prevenção da doença.

“Ao identificar necrose nos ramos, manchas escuras nas folhas cercadas por um halo amarelado ou alterações no caule, o produtor deve entrar em contato imediatamente com a Secretaria de Agricultura ou procurar um escritório da Emater-DF”, orientou.

Além da vigilância, a pasta elaborou uma cartilha com orientações para identificação da doença e reforçou recomendações como a desinfecção das ferramentas de poda com solução de hipoclorito de sódio a 10%, a não utilização compartilhada de equipamentos entre propriedades e a compra de mudas apenas de viveiros certificados pelo Ministério da Agricultura.

Apesar dos impactos na produção, Rafael Bueno tranquilizou a população quanto ao consumo dos produtos.

“De forma alguma essa doença é transmitida ao ser humano. O prejuízo é exclusivamente econômico e restrito às plantas. A população pode continuar consumindo uvas e vinhos normalmente”, afirmou.

O secretário explicou que os efeitos recaem sobre a qualidade dos frutos. “As uvas deixam de apresentar o padrão exigido pelo mercado, ficando menores, murchas e sem sabor. No caso do vinho, a baixa qualidade da fruta acaba interferindo também na qualidade da bebida”, acrescentou.

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postado em 03/07/2026 18:21
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