INVESTIGAÇÃO

À polícia, agressor admite soco em árbitro e cita remédios e álcool

Em depoimento aos agentes da 1ª DP, Manuel Vitorino reconheceu que atingiu o árbitro Marcello Rudá, afirmou ter misturado medicamentos e álcool e disse que pretende pedir desculpas à vítima

O homem acusado de agredir o árbitro Marcello Rudá, 34 anos, durante uma partida de futebol amador no Distrito Federal admitiu, em depoimento à Polícia Civil, ter desferido um soco contra a vítima após discordar da atuação da arbitragem. Ouvido pelos policiais da 1ª DP (Asa Sul) na tarde do último dia 8, Manuel Vitorino Jorge Menezes Lisa, de 75 anos, afirmou que está "arrependido" do ocorrido e que pretende buscar formas de reparar os danos causados.

No relato prestado aos agentes da Polícia Civil, ao qual o Correio teve acesso com exclusividade, Manuel confirmou que estava assistindo ao jogo quando decidiu partir para a agressão física contra o árbitro. Segundo ele, a reação ocorreu em meio à insatisfação com a condução da partida. Com grande repercussão nas redes sociais, o caso ocorreu durante a final do 21º Torneio de Futebol Society Veterano da Asbac, no Setor de Clubes Sul, na tarde de 4 de julho, no intervalo entre o fim do tempo regulamentar e o início da prorrogação da partida.

Material cedido ao Correio - Manuel Vitorino Jorge de Menezes Lisa, também conhecido como Baiano, é acusado de agredir árbitro durante torneio no DF

No depoimento, Manuel afirmou que faz uso diário de medicamentos para dormir. Segundo ele, na noite anterior à agressão ingeriu um comprimido de Donaren e um comprimido de Zolpidem. De acordo com a sua versão, a combinação dos medicamentos provocou um quadro de confusão mental na manhã seguinte. O suspeito também declarou que consumiu bebidas alcoólicas antes da partida, incluindo cerveja e cachaça.

Segundo o depoimento, a ingestão de álcool "teria contribuído" para o comportamento que ele classificou como desequilibrado. Manuel reconheceu que a agressão não deveria ter acontecido. "Em razão de discordar da atuação da arbitragem, desferiu agressão física contra o árbitro", registra o documento policial. No mesmo relato, ele afirma que o uso dos medicamentos, somado ao consumo de álcool, influenciou sua conduta naquele dia.

O acusado também declarou que não tinha qualquer desavença anterior com Marcello Rudá. Por essa razão, classificou o episódio como um "ato isolado", que, segundo ele, não representa seu histórico pessoal nem seu comportamento habitual. Ao final do depoimento, ele afirmou sentir "vergonha e arrependimento pelo ocorrido". Disse ainda que está abalado desde o episódio e pretende procurar a vítima para apresentar um pedido de desculpas.

Veja a agressão:

O que diz a vítima

Segundo Marcello Rudá, o agressor assistia ao jogo em um bar próximo ao campo e entrou no gramado durante o intervalo da partida.

O árbitro relatou que o soco atingiu seu maxilar direito e o pescoço. Em entrevistas concedidas após o caso, ele afirmou que a agressão aconteceu de forma inesperada, enquanto conversava normalmente com jogadores e integrantes das comissões técnicas sobre lances da partida.

Marcello também declarou que não ouviu qualquer discussão prévia antes de ser atingido. Após a agressão, registrou boletim de ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia, que investiga o caso.

Servidor aposentado do Senado e morador da Asa Norte, Manuel Vitorino Jorge de Menezes Lisa, conhecido como "Baiano", tem 75 anos.

A apuração da Polícia Civil segue em andamento. O caso está registrado como vias de fato e ameaça. O Correio tentou contato com o acusado, mas o telefone só dava sinal de desligado ou fora da área de serviço. O espaço segue aberto para manifestação.

Marcello Rudá apitou o jogo entre Flamengo X Olímpia, na sexta-feira (17/7), no Mané Garrincha.

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