
O candidato ao Governo do Distrito Federal (GDF) pelo Partido da Causa Operária (PCO), Expedito Mendonça, defendeu, na sabatina do Correio desta terça-feira (11/8), a estatização de setores estratégicos como transporte, saúde e educação e a recomposição salarial imediata dos servidores públicos.
A plataforma do candidato se baseia na inversão de prioridades orçamentárias, sugerindo o não pagamento da dívida pública — que, segundo ele, consome 50% do orçamento nacional — para financiar serviços públicos de qualidade e garantir um salário digno que cubra as necessidades de uma família de quatro pessoas.
"A primeira coisa que a gente deveria adotar aqui seria o desconhecimento da dívida pública impagável no país. A partir do momento em que você fechar essa torneira, deixar de pagar esses valores absurdamente escandalosos para alimentar uma elite financeira, você tem condição de alocar esses recursos para atender todos os programas e estatizar os serviços públicos", defendeu Expedito.
Aos jornalistas Carlos Alexandre de Souza, Carmen Souza, Denise Rothenburg e Ana Maria Campos, Mendonça classificou o atual salário mínimo brasileiro (R$ 1.621,00) como “escabroso e ridículo” para a décima economia do mundo. Sua proposta central é a correção imediata das perdas salariais dos servidores do GDF, utilizando tanto os recursos do Fundo Constitucional quanto a arrecadação própria, como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que ele aponta ser um dos mais caros do país.
Você tem aí milhões de pessoas vivendo da caridade do Estado porque não têm condições, porque não têm um salário digno para o seu sustento. Nós defendemos que todo trabalhador tenha os seus salários recompostos a níveis que permitam uma sobrevivência digna", afirmou o candidato do PCO.
O candidato argumenta que a prioridade deve ser o pagamento de pessoal, preterindo “obras monumentais”, e que o aumento do poder de compra dos servidores dinamiza a economia local, aquecendo o comércio e gerando retorno em impostos para o Estado. Além disso, caso eleito, ele diz pretender reunir as categorias para que apresentem planilhas de defasagem salarial para a correção imediata.
Estatizações
No campo das privatizações, Mendonça propõe uma ruptura com o modelo atual. Ele defende que o Estado assuma setores que hoje visam o lucro, transformando-os em serviços geridos por conselhos populares.
"Você não pode ter um serviço que é um direito da população explorado por um setor privado que não tem o compromisso de oferecer um serviço de boa qualidade para a população e que só visa o lucro", enfatizou Expedito.
No setor de transporte público, a medida prevê a encampação das empresas de ônibus, ação direcionada a reduzir o valor das passagens — apontadas pelo sabatinado como uma das mais altas do país —, garantir a melhoria da frota e preservar os empregos dos trabalhadores da área.
Na saúde, a diretriz inclui o fim do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF, classificado pelo político como um “fracasso de gestão”, e a estatização total do sistema, que passaria a operar sob o controle de usuários e profissionais.
A situação da saúde pública aqui em Brasília é calamitosa. Eu não vejo outra forma de você garantir um serviço de qualidade para a população se você não estatizar o serviço e colocá-lo sob o controle dos próprios usuários e dos próprios trabalhadores", reiterou o postulante ao Buriti.
O plano também abrange a reestatização da Companhia Energética de Brasília (CEB), hoje Neoenergia, impulsionada por críticas às altas tarifas praticadas e à precariedade da iluminação pública em regiões do DF.
Já na educação, sob a premissa de que o ensino não deve ser tratado como objeto de exploração pela iniciativa privada, a proposta estabelece que a rede seja inteiramente estatal e fiscalizada diretamente pela população.
Questionado sobre a viabilidade financeira e jurídica de tais medidas, visto que o PCO não possui representação parlamentar na Câmara Legislativa do DF e nem no Congresso Nacional, Expedito Mendonça afirmou que a solução reside na mobilização popular. Para ele, a institucionalidade e as leis atuais são obstáculos que devem ser superados pela pressão das massas nas ruas.
"Nossos representantes dos trabalhadores ainda são muito incipientes. Nós acreditamos que é possível, através da mobilização popular, levantar a população para que ela acredite que a solução dos seus problemas só será alcançada através da sua própria intervenção", concluiu Mendonça.
Saiba Mais
Fique por dentro
O Correio realiza a sabatina ao longo de todo o dia, entrevistando 11 candidatos ao GDF. O evento pode ser acompanhado ao vivo pelo YouTube do jornal. No dia 1º de setembro, o Correio irá promover o debate entre os candidatos ao governo da capital.

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