
A imagem construída nas redes sociais era de disciplina, sucesso e prosperidade, mas, segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), Ana Luiza e Alam Manoel integravam uma organização criminosa especializada na fabricação e comercialização clandestina de anabolizantes e medicamentos. O casal está entre os presos da Operação Narciso, deflagrada na terça-feira (11/8) para desarticular um esquema com atuação em diversos estados brasileiros. A ação também levou à prisão de Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como Jiraya e apontado pelas investigações como chefe da organização, localizado em Cidade del Este, no Paraguai.
Ana Luiza e Alam Manoel construíram uma presença digital cuidadosamente alinhada ao consumo de luxo, da estética do corpo perfeito e do ecossistema fitness. Sob o rótulo de empresários, o casal utilizava as redes sociais como uma vitrine de sucesso e hiperperformance. O feed e os stories funcionavam como um catálogo de aspirações: viagens, rotinas intensas de treinos em academias e a exibição constante de um estilo de vida de alto padrão, desenhado para transmitir credibilidade, disciplina e sofisticação aos seus seguidores.
No centro dessa engrenagem, Ana Luiza alavancava sua audiência de mais de 150 mil seguidores posicionando-se na interseção entre boa forma, moda e lifestyle. A influenciadora monetizava a promessa do emagrecimento rápido e da perda de peso milagrosa, normalizando o uso de substâncias clandestinas — como o "Yellow B" — em meio a postagens sobre retenção de líquido e perda de peso instantânea. A estética da sua conta alternava entre o esforço físico legítimo e o atalho estético, criando um discurso persuasivo que engajava um público vulnerável em busca de transformações corporais imediatas.
Alam, por sua vez, complementava a imagem do casal operando na narrativa do empresariado ligado à nutrição. Com um perfil menor, porém voltado para a ostentação ostensiva, seu foco estava em reforçar o status social através da exibição do físico musculoso, viagens e, de forma marcante, pelo colecionismo de itens de superluxo. Em uma das publicações ele exibe, por exemplo, um _Dior x Air Jordan 1 High_, avaliado entre R$ 35 mil e R$ 60 mil, no mercado de revenda de luxo.
Investigação
Ao todo, foram cumpridos 43 mandados de prisão, sendo 31 preventivas e 12 temporárias, além de 64 mandados de busca e apreensão. Somente no Distrito Federal, 30 pessoas foram presas. A Justiça determinou ainda o bloqueio de mais de R$ 32 milhões em contas ligadas aos investigados e o sequestro de veículos de luxo.
Segundo a investigação, o grupo criminoso era estruturado em quatro núcleos responsáveis pela produção e armazenamento dos produtos clandestinos, logística, distribuição e lavagem de dinheiro.

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