CRIME

Casal que ostentava luxo é preso por esquema de anabolizantes clandestinos

Ana Luiza e Alam Manoel foram presos na operação Narciso, deflagrada na terça-feira (11/8) pela PCDF, que também capturou Roberto Carlos Pereira de Carvalho, vulgo Jiraya, apontado pelas investigações como chefe da organização no Paraguai

Os investigados respondem por suspeitas de organização criminosa, falsificação de medicamentos e lavagem de dinheiro -  (crédito: Reprodução/Redes sociais)
Os investigados respondem por suspeitas de organização criminosa, falsificação de medicamentos e lavagem de dinheiro - (crédito: Reprodução/Redes sociais)

A imagem construída nas redes sociais era de disciplina, sucesso e prosperidade, mas, segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), Ana Luiza e Alam Manoel integravam uma organização criminosa especializada na fabricação e comercialização clandestina de anabolizantes e medicamentos. O casal está entre os presos da Operação Narciso, deflagrada na terça-feira (11/8) para desarticular um esquema com atuação em diversos estados brasileiros. A ação também levou à prisão de Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como Jiraya e apontado pelas investigações como chefe da organização, localizado em Cidade del Este, no Paraguai.

Ana Luiza e Alam Manoel construíram uma presença digital cuidadosamente alinhada ao consumo de luxo, da estética do corpo perfeito e do ecossistema fitness. Sob o rótulo de empresários, o casal utilizava as redes sociais como uma vitrine de sucesso e hiperperformance. O feed e os stories funcionavam como um catálogo de aspirações: viagens, rotinas intensas de treinos em academias e a exibição constante de um estilo de vida de alto padrão, desenhado para transmitir credibilidade, disciplina e sofisticação aos seus seguidores.

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No centro dessa engrenagem, Ana Luiza alavancava sua audiência de mais de 150 mil seguidores posicionando-se na interseção entre boa forma, moda e lifestyle. A influenciadora monetizava a promessa do emagrecimento rápido e da perda de peso milagrosa, normalizando o uso de substâncias clandestinas — como o "Yellow B" — em meio a postagens sobre retenção de líquido e perda de peso instantânea. A estética da sua conta alternava entre o esforço físico legítimo e o atalho estético, criando um discurso persuasivo que engajava um público vulnerável em busca de transformações corporais imediatas.

Alam, por sua vez, complementava a imagem do casal operando na narrativa do empresariado ligado à nutrição. Com um perfil menor, porém voltado para a ostentação ostensiva, seu foco estava em reforçar o status social através da exibição do físico musculoso, viagens e, de forma marcante, pelo colecionismo de itens de superluxo. Em uma das publicações ele exibe, por exemplo, um _Dior x Air Jordan 1 High_, avaliado entre R$ 35 mil e R$ 60 mil, no mercado de revenda de luxo.

Investigação

Ao todo, foram cumpridos 43 mandados de prisão, sendo 31 preventivas e 12 temporárias, além de 64 mandados de busca e apreensão. Somente no Distrito Federal, 30 pessoas foram presas. A Justiça determinou ainda o bloqueio de mais de R$ 32 milhões em contas ligadas aos investigados e o sequestro de veículos de luxo.

Segundo a investigação, o grupo criminoso era estruturado em quatro núcleos responsáveis pela produção e armazenamento dos produtos clandestinos, logística, distribuição e lavagem de dinheiro.

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postado em 12/08/2026 22:48
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