O candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao Governo do Distrito Federal (GDF), Expedito Mendonça, se posicionou, durante a sabatina do Correio desta terça-feira (11/8), de forma contrária à utilização de patrimônio público para cobrir prejuízos do Banco de Brasília (BRB) e defendeu uma reforma no apoio à agricultura, priorizando o pequeno produtor em detrimento dos exportadores de commodities.
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Em relação à crise do BRB, Mendonça classificou como um “crime de enorme gravidade” a possibilidade de o GDF utilizar terras públicas para cobrir os rombos da instituição, após transações ilícitas e operações fraudulentas conduzidas em parceria com o Banco Master. Mendonça acusou ainda a gestão do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) de ter pleno conhecimento das irregularidades e de atuar de forma cúmplice no processo, afirmando que a transação envolveu agentes conscientes da gravidade dos atos.
“Se você reivindicar que o banco seja estatizado, é inútil, porque ele já é estatal. Só que o controle dele não está na mão dos trabalhadores do BRB, e o orçamento também”, criticou o postulante do PCO.
Para solucionar a crise sem repassar os custos à população ou dilapidar o patrimônio público, a proposta do candidato foca em exigir a devolução dos recursos pelos responsáveis pelas fraudes e na preservação integral dos empregos e direitos dos bancários. Mendonça enfatizou que o dinheiro desviado precisa retornar integralmente aos cofres da instituição em vez de sacrificar a sociedade ou os empregados para sanar os rombos acumulados.
Embora o BRB já seja uma instituição estatal, o candidato do PCO defende que a gestão do banco deixe de ser comandada por uma tecnocracia e passe a ser controlada diretamente pelos próprios trabalhadores. Ele sustentou que esse novo modelo organizativo garantirá que os recursos públicos cumpram uma função social efetiva e fiquem blindados contra esquemas de corrupção.
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Agro
No setor agrícola, a plataforma do candidato estabelece uma distinção entre o agronegócio voltado à exportação e a produção focada no abastecimento interno. Crítico dos grandes produtores de soja e commodities — que, segundo Expedito, não cumprem função social no DF por estarem voltados apenas ao mercado externo —, o político direciona suas medidas aos pequenos agricultores.
“Os grandes produtores de soja e de outras commodities de exportação não cumprem esse papel de colocar alimentos na mesa do trabalhador e de suas famílias. O pequeno produtor cumpre esse papel e ele merece ser apoiado com crédito barato”, defendeu Mendonça.
Para fortalecer a produção local de hortifruti e baratear o preço dos alimentos nas feiras e supermercados de Brasília, o plano prevê a oferta de crédito facilitado e desburocratizado — apontado por ele como o principal gargalo do setor —, além da regularização fundiária e da ampliação das áreas destinadas à pequena agricultura.
O candidato frisou que o combate à inflação dos alimentos nas feiras e mercados depende do investimento governamental em financiamento acessível e da segurança jurídica sobre a posse da terra para as famílias produtoras da região.
Essas diretrizes para o sistema financeiro local e o campo integram a estratégia mais ampla do candidato, que combina a estatização de serviços essenciais com a reestruturação das prioridades orçamentárias do DF.
Fique ligado
A entrevista faz parte da série de sabatinas promovida pelo Correio Braziliense nesta terça-feira (11/8) com os 11 postulantes ao GDF: Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Elisson Ferreira (Agir), Expedito Mendonça (PCO), Kiko Caputo (Novo), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Cappelli (PSB), Rico Pinheiro (PRTB), Robson Raymundo (PSTU) e Samara Mineiro (UP). Cada candidato responde a perguntas da bancada de jornalistas do Correio por uma hora, apresentando propostas para temas prioritários como saúde, educação e segurança. O evento segue ao vivo até as 18h no canal do Correio no YouTube.
